Trump prorroga prazo para ataques a usinas do Irã em meio a escalada da guerra no Oriente Médio

Presidente dos EUA estende ultimato até 7 de abril enquanto conflito impacta energia global e amplia tensões diplomáticas
Foto: Reuters

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou a prorrogação do prazo para possíveis ataques contra usinas de energia do Irã até o dia 7 de abril. A decisão ocorre após o governo iraniano rejeitar uma proposta apresentada por Washington para encerrar o conflito em curso com Israel.

A nova extensão prevê a suspensão dos ataques por mais 10 dias, até as 20h do dia 6 de abril (horário de Brasília). A medida foi divulgada pelo próprio presidente em publicação na rede social Truth Social. Segundo Trump, há tratativas em andamento, embora o Irã negue qualquer negociação direta com os Estados Unidos.

“As negociações estão em andamento e, apesar das declarações errôneas em contrário da mídia de notícias falsas e de outros, estão indo muito bem”, afirmou Trump.

A ameaça envolve a possibilidade de destruição de instalações energéticas iranianas caso não haja acordo, incluindo a reabertura do Estreito de Ormuz, rota estratégica por onde passam cerca de 20% do petróleo e do gás natural liquefeito do mundo.

Escalada do conflito e impacto global

A guerra, iniciada em 28 de fevereiro após ataques dos Estados Unidos e de Israel ao território iraniano durante negociações sobre o programa nuclear de Teerã, se expandiu por diferentes regiões do Oriente Médio. O confronto já provocou milhares de mortes e deslocamentos populacionais, incluindo no Líbano, após ofensivas envolvendo o grupo Hezbollah.

O bloqueio do Estreito de Ormuz pelo Irã afetou diretamente o fornecimento global de energia, elevando preços do petróleo, gás e fertilizantes. O barril do tipo Brent chegou a cerca de US$ 110, acumulando alta superior a 50% desde o início do conflito.

Além dos impactos econômicos, há efeitos diretos sobre a população civil. Em regiões do Golfo, milhões de pessoas dependem da energia para abastecimento de água por meio de usinas de dessalinização.

Ataques e operações militares

Nos últimos dias, ataques foram registrados em diferentes cidades iranianas. Na região de Pardisan, em Qom, ao sul de Teerã, três edifícios foram atingidos, deixando ao menos 15 mortos e 10 feridos. Em Urmia, no noroeste do país, um míssil atingiu um complexo residencial, com vítimas ainda sendo contabilizadas.

As Forças Armadas de Israel informaram ter realizado ataques a dezenas de alvos militares em Teerã, incluindo instalações ligadas ao programa de mísseis do Irã.

Equipes de resgate do Crescente Vermelho atuaram na retirada de sobreviventes em áreas atingidas.

Tensão diplomática e negociações indiretas

Apesar da fala de Trump sobre negociações, o governo do Irã afirma que não mantém diálogo com Washington. O presidente norte-americano também não detalhou com quem estariam ocorrendo as tratativas.

O ministro das Relações Exteriores da Alemanha, Johann Wadephul, afirmou que há indícios de contatos indiretos e preparação para uma reunião presencial.

“Aparentemente, isso acontecerá muito em breve no Paquistão”, disse o ministro.

O Paquistão, que mantém relações com Teerã, indicou disposição para sediar negociações, embora tenha rejeitado a proposta de 15 pontos apresentada pelos Estados Unidos.

Reação iraniana e segurança interna

Autoridades iranianas afirmaram que responderão com ataques a instalações energéticas na região do Golfo caso os Estados Unidos executem as ameaças. Paralelamente, a Guarda Revolucionária anunciou a proibição de transporte marítimo relacionado a aliados de Israel e dos EUA.

No campo interno, o Irã informou a prisão de dezenas de pessoas suspeitas de colaborar com forças estrangeiras. Na província de Kermanshah, três indivíduos foram detidos por ligação com o Mossad. Em Isfahan, mais de 15 pessoas foram presas sob suspeita de repassar informações estratégicas.

Segundo autoridades iranianas, mais de 100 detenções ocorreram desde o início do conflito.

Pressão internacional

Potências europeias acusam a Rússia de apoiar o Irã, com fornecimento de imagens de satélite e assistência na modernização de drones. O tema deve ser discutido em reunião do G7 na França, com participação do secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio.

Analistas avaliam que o cenário permanece incerto. Para o especialista Sean Callow, da ITC Markets, há dúvidas sobre a existência de negociações efetivas.

“Muitos consideram que o regime iraniano está em vantagem e duvidam que existam, de fato, negociações produtivas em andamento com os EUA”, afirmou.

Proposta rejeitada

Fontes indicam que a proposta apresentada por Washington incluía exigências como o desmantelamento do programa nuclear iraniano, restrições ao programa de mísseis e mudanças no controle do Estreito de Ormuz.

Segundo autoridades iranianas, o documento atendia apenas aos interesses dos Estados Unidos e de Israel. Ainda assim, o governo afirmou que a via diplomática permanece aberta.

 

Com informações da Reuters*

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus