Trump provoca reação internacional ao ameaçar Groenlândia e sugerir ataque à Colômbia

Presidente dos EUA cita segurança nacional, provoca reação da Dinamarca, líderes europeus e do governo colombiano
Foto: Official White House Photo by Daniel Torok

Um dia após a operação militar dos Estados Unidos na Venezuela, o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que pretende anexar a Groenlândia, território semiautônomo ligado à Dinamarca, e sugeriu a possibilidade de uma ação militar contra a Colômbia, governada por Gustavo Petro.

As declarações foram feitas neste domingo (4) e provocaram reações de autoridades europeias e latino-americanas. A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, divulgou nota rechaçando qualquer possibilidade de anexação do território.

“Tenho que dizer isso muito diretamente aos Estados Unidos: não faz absolutamente nenhum sentido falar sobre a necessidade de os EUA tomarem posse da Groenlândia”, afirmou.

Frederiksen lembrou que a Dinamarca integra a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e que o país está sob a garantia de segurança da aliança militar liderada pelos próprios Estados Unidos.

“Já temos um acordo de defesa entre o Reino e os Estados Unidos, que concede aos EUA amplo acesso à Groenlândia. E nós, por parte do Reino, investimos significativamente em segurança no Ártico”, disse.

A primeira-ministra também pediu o fim das ameaças. “Insisto veementemente para que os EUA cessem as ameaças contra um aliado histórico e contra outro país e outro povo que já deixaram bem claro que não estão à venda.”

O primeiro-ministro da Groenlândia, Jens Frederik Nielsen, também se manifestou em uma rede social. “Quando o presidente dos Estados Unidos fala ‘precisamos da Groenlândia’ e nos liga com a Venezuela e intervenção militar, não é só errado. Isto é tão desrespeitoso. Nosso país não é objeto de retórica de superpotência”, declarou.

Em entrevista à revista The Atlantic, Trump afirmou que os Estados Unidos “precisam” da Groenlândia por razões de segurança nacional. “[Precisamos da Groenlândia] não por causa dos minerais, temos vários lugares para minerais e petróleo, mais que qualquer país do mundo. Precisamos da Groenlândia para nossa segurança nacional. Se você olhar para Groenlândia, olhar para cima e para baixo da costa, tem navios russos e chineses por todas as partes”, disse.

As declarações ocorrem desde o início do atual mandato de Trump, em janeiro de 2025. A fala mais recente foi rejeitada por chefes de Estado europeus, incluindo líderes da Finlândia, Noruega e Suécia. O primeiro-ministro do Reino Unido, Keir Starmer, afirmou que apenas a Groenlândia e a Dinamarca podem decidir sobre o futuro do território.

“E a Dinamarca é uma aliada próxima na Europa, é uma aliada da Otan e é muito importante que o futuro da Groenlândia seja para o Reino da Dinamarca e para a própria Groenlândia, e somente para a Groenlândia e o Reino da Dinamarca”, disse Starmer à BBC.

Colômbia

Além da Groenlândia, Trump mencionou a possibilidade de uma ação militar contra a Colômbia. Segundo ele, uma intervenção contra o governo de Gustavo Petro “parece bom”.

“A Colômbia também está muito doente, administrada por um homem doente, que gosta de produzir cocaína e vendê-la aos EUA, e ele não vai continuar fazendo isso por muito tempo”, afirmou a jornalistas.

O presidente colombiano rejeitou as acusações. “Não sou ilegítimo, nem traficante de drogas; meu único bem é a casa da minha família, que ainda pago com meu salário. Meus extratos bancários foram tornados públicos”, disse Petro.

Em nova manifestação, o presidente afirmou confiar na população colombiana. “Tenho enorme fé no meu povo, e é por isso que lhes pedi que defendam o presidente contra qualquer ato ilegítimo de violência. A forma de me defenderem é tomar o poder em cada município do país. A ordem para as forças de segurança não é atirar contra o povo, mas sim contra os invasores”, declarou.


 

Com informações da Agência Brasil*

Por Haliandro Furtado — Redação da Jovem Pan News Manaus