O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, publicou, na madrugada desta sexta-feira (6), um vídeo em uma rede social com conteúdo considerado racista contra o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama.
A publicação traz, ao final de um vídeo de cerca de um minuto, uma imagem de aproximadamente dois segundos em que os rostos do casal aparecem sobrepostos a corpos de macacos. A trilha sonora utilizada é a música “The Lion Sleeps Tonight”. O material foi divulgado na plataforma Truth Social.
O vídeo faz referência a teorias da conspiração sobre as eleições presidenciais de 2020, vencidas por Joe Biden. Trump não reconheceu o resultado do pleito e segue divulgando acusações não comprovadas de fraude.
BREAKING: Trump just posted a video on Truth Social that includes a racist image of Barack and Michelle Obama as monkeys.
There’s no bottom pic.twitter.com/zPEGa94dYO
— Republicans against Trump (@RpsAgainstTrump) February 6, 2026
Reações de lideranças democratas
A postagem provocou reações de lideranças do Partido Democrata. O líder da minoria na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, criticou a publicação e afirmou que o conteúdo representa fanatismo e preconceito.
O gabinete do governador da Califórnia, Gavin Newsom, também condenou o vídeo em publicação na rede social X, pedindo que líderes republicanos se posicionem contra o material.
Ben Rhodes, ex-conselheiro de Segurança Nacional e aliado de Obama, declarou que o conteúdo reflete racismo e que o ex-presidente será lembrado de forma positiva na história do país.
Barack Obama foi o primeiro presidente negro dos Estados Unidos e apoiou Kamala Harris nas eleições de 2024.
Acusações falsas sobre eleições
O vídeo divulgado por Trump repete alegações já desmentidas envolvendo a empresa Dominion Voting Systems, responsável pela apuração de votos em 2020. A companhia processou a emissora Fox News, que fez um acordo extrajudicial de US$ 787 milhões para encerrar a ação por difamação.
Segundo dados divulgados, Trump publicou cerca de 60 postagens em poucas horas, muitas delas relacionadas a supostas fraudes eleitorais sem comprovação.
A retomada das acusações ocorre em meio a análises sobre possíveis perdas do Partido Republicano nas eleições legislativas de novembro.
No último sábado, o democrata Taylor Rehmet venceu uma eleição para o Senado estadual do Texas em um distrito tradicionalmente republicano, segundo levantamento da historiadora Heather Cox Richardson.
Nesta semana, o estrategista Steve Bannon afirmou que o governo pretende intensificar ações de imigração, retomando alegações de que imigrantes influenciam eleições, sem apresentar provas.
Em anos recentes, republicanos também promoveram mudanças nos limites de distritos eleitorais no Texas e no Missouri, prática conhecida como gerrymandering.
Uso de imagens geradas por IA
Desde o início de seu segundo mandato, Trump intensificou o uso de conteúdos produzidos por inteligência artificial para atacar adversários políticos.
Em 2025, ele publicou um vídeo que mostrava Barack Obama sendo preso no Salão Oval. Também divulgou imagens manipuladas de Hakeem Jeffries, que classificou o material como racista.
As publicações têm sido usadas para mobilizar apoiadores e criticar opositores.
Política contra programas de diversidade
Após retornar à Casa Branca, Trump encerrou programas federais de diversidade, equidade e inclusão (DEI), incluindo ações nas Forças Armadas.
A decisão levou à retirada de livros sobre discriminação racial das bibliotecas de academias militares.
Os programas de combate à discriminação surgiram nos Estados Unidos após o movimento pelos direitos civis da década de 1960, liderado por afro-americanos, como resposta a séculos de escravidão e segregação institucional.
Com informações da Jovem Pan News e Agência Brasil*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






