O atleta ucraniano de skeleton Vladyslav Heraskevych foi desclassificado dos Jogos Olímpicos de Inverno de Milão-Cortina nesta quinta-feira (12) por usar um capacete com a imagem de atletas ucranianos mortos no conflito com a Rússia desde a invasão de Moscou em 2022, segundo informação confirmada pelo próprio atleta.
A decisão foi comunicada ao competidor após encontro com a presidente do Comitê Olímpico Internacional (COI), Kirsty Coventry, realizado no início da manhã, na sede das provas de trenó. A equipe de Heraskevych informou que irá recorrer ao Tribunal Arbitral do Esporte (CAS).
A prova de skeleton está programada para começar ainda nesta quinta-feira (12).
Regra 50 e veto do COI
O impasse teve início na terça-feira (10), quando o COI proibiu o uso do capacete durante as competições oficiais, sob a justificativa de que o item infringia as normas que vedam manifestações políticas nos locais de disputa. A medida gerou críticas de autoridades ucranianas.
Heraskevych, de 27 anos, treinava na Itália utilizando o capacete estampado com 24 imagens de atletas ucranianos mortos na guerra e havia manifestado a intenção de competir com o equipamento. O acessório foi liberado apenas para os treinos no centro de deslizamento de Cortina, mas não para as provas valendo medalha.
Durante coletiva de imprensa, o porta-voz do COI, Mark Adams, declarou: “Nós imploraríamos para ele: ‘Queremos que ele compita’”. Ele acrescentou: “Vamos entrar em contato com o atleta e reiterar as muitas, muitas oportunidades que ele tem para expressar seu luto. Queremos que ele expresse seu luto.”
Questionado pela Reuters se a decisão era usar o capacete ou ficar fora da competição, Heraskevych respondeu: “Sim”.
Alternativas e posicionamento oficial
Segundo o COI, o atleta foi informado de que poderia utilizar uma braçadeira preta como forma alternativa de homenagem. A entidade reforçou que a Regra 50.2 da Carta Olímpica proíbe demonstrações políticas, religiosas ou raciais nos campos de competição e nos pódios, embora permita manifestações em entrevistas, coletivas e redes sociais.
“Queremos que ele compita. Queremos, de verdade, que ele tenha o seu momento”, afirmou Adams. Ele argumentou ainda que, diante de inúmeros conflitos armados ao redor do mundo, seria inviável permitir manifestações políticas nas áreas de competição.
“É isso que os atletas querem”, afirmou Adams. “Aquele momento específico no campo de competição deve estar livre de qualquer distração. Não é a mensagem, é o local que importa.”
“Para nós e para os atletas, o campo de competição é sagrado. Essas pessoas dedicaram a vida inteira a esse momento”, acrescentou.
Inspeção e aplicação das regras
Nesta quinta-feira, antes da entrada no canal de gelo, todos os competidores, inclusive Heraskevych, passariam por inspeção de equipamentos. “Existem regras e regulamentos, e eles serão aplicados em última instância. No fim, será uma decisão do COI”, concluiu Adams.
Com a desclassificação confirmada, o caso agora deve seguir para análise na Justiça desportiva internacional.
Com informações da CNN*
Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus
Foto: Andrew Milligan/PA Images via Getty Images






