O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, marcou um ano de seu segundo mandato com um discurso centrado na política migratória e em críticas a organismos internacionais. Durante entrevista a jornalistas na Casa Branca, nesta terça-feira, o republicano exibiu fotos de imigrantes presos pelo serviço de imigração e classificou manifestantes contrários às ações do governo como “agitadores profissionais”.
Antes da coletiva, a Casa Branca distribuiu um documento de 31 páginas listando 365 medidas que a administração considera conquistas desde a posse. Ao falar a jornalistas no púlpito normalmente ocupado por sua porta-voz, Trump voltou a direcionar críticas duras à imigração e a países estrangeiros.
Durante a apresentação, o presidente mostrou imagens de pessoas detidas pelo Immigration and Customs Enforcement (ICE) em Minnesota e afirmou que os presos teriam cometido crimes. No estado, protestos contra o órgão se intensificaram após a morte de Renée Good, cidadã americana baleada durante uma ação de imigração. Sobre os manifestantes, Trump declarou:
“Eles são agitadores profissionais.”
Ao criticar imigrantes, o presidente voltou a sustentar, sem apresentar provas, que países estariam enviando criminosos deliberadamente aos Estados Unidos. Em uma de suas falas mais duras, ao se referir a estrangeiros da Somália, afirmou:
“Dizem que é o pior país do mundo. Se é que pode ser chamado de país, eu não acho que seja um país.”
Em um momento fora do discurso preparado, Trump comparou criminosos estrangeiros à gangue de motoqueiros Hell’s Angels e elogiou o grupo:
“Eles fazem nossos Hell’s Angels parecerem as pessoas mais doces do mundo. Os Hell’s Angels agora são considerados pessoas legais e de alta qualidade. Eu gosto dos Hell’s Angels. Eles votaram em mim.”
Ao abordar o combate ao tráfico de drogas, Trump afirmou que seu governo começará “muito em breve” ações em terra na América Latina. Segundo ele, ataques a embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico já teriam reduzido a entrada de drogas por via marítima.
“Vamos combater o tráfico por terra muito em breve”, disse, sem especificar países ou operações.
O presidente também criticou a Organização das Nações Unidas (ONU), ao comentar a criação do que chamou de “Conselho da Paz”:
“Gostaria que as Nações Unidas pudessem fazer mais. Em todas as guerras que negociei, elas nunca me ajudaram.”
Na mesma fala, Trump afirmou ter sido indicado ao Prêmio Nobel da Paz por líderes internacionais:
“Cada um deles me indicou para o Prêmio Nobel. Em todas as guerras, entre muitas outras pessoas, fui indicado.”
Sobre a Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), o presidente declarou:
“Eu fiz mais pela Otan do que qualquer outra pessoa, viva ou morta.”
A declaração ocorre em meio a tensões diplomáticas envolvendo a aliança, agravadas por falas anteriores de Trump sobre a Groenlândia, território ligado à Dinamarca, país-membro da Otan.
A imigração segue como eixo central do governo. Antes de reassumir o cargo, Trump prometeu expulsar todos os imigrantes em situação irregular. Embora a promessa não tenha sido integralmente cumprida, o governo ampliou de forma significativa as operações do ICE, colocando mais de 20 mil agentes nas ruas.
Segundo números citados durante o balanço, cerca de 605 mil pessoas foram deportadas até dezembro, além de 1,9 milhão de autodeportações voluntárias. As ações, no entanto, têm provocado reações, protestos e disputas judiciais, especialmente após mortes registradas durante operações de imigração.
Com Informações da CNN Brasil
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






