Entre os estudantes brasileiros selecionados para representar o país em competições internacionais de Física em 2026, apenas uma é mulher. A cearense Maria Beatriz Mesquita Ximenes, de 16 anos, garantiu uma das vagas na delegação que disputará a Olimpíada Ibero-Americana de Física (OIbF).
Aluna do 3º ano do ensino médio em Fortaleza, a estudante construiu a trajetória ao longo de mais de dois anos de preparação intensa. Para ampliar as oportunidades acadêmicas, ela deixou o município de Sobral aos 14 anos e passou a morar na capital cearense, onde também conquistou bolsa integral na escola.
A rotina inclui até 14 horas diárias de dedicação aos estudos, com foco em treinamentos para olimpíadas, resolução de exercícios avançados e atividades práticas em laboratório.
“É um estudo muito cansativo, mas é sobre se sentir desafiado todos os dias e entender que isso significa que está no caminho certo”, afirmou.
A classificação para a competição internacional foi resultado de um processo seletivo iniciado em 2024, quando a estudante conquistou medalha de bronze na Olimpíada Brasileira de Física. No ano seguinte, avançou para o Torneio Brasileiro de Física, etapa que define os representantes do país.
A Olimpíada Ibero-Americana de Física está prevista para ocorrer entre os dias 25 de setembro e 1º de outubro, em João Pessoa, na Paraíba, reunindo delegações de diferentes países. Apesar do desempenho, a estudante chama atenção para um desafio recorrente na área: a baixa presença feminina. Ao longo da preparação, ela foi a única menina entre os colegas.
“É uma tristeza muito grande não ver outras meninas junto comigo. Acaba sendo um processo muito solitário”, disse.
Segundo especialistas, a desigualdade de gênero nas áreas de ciência e tecnologia começa ainda na educação básica. Dados recentes indicam que mulheres representam cerca de 26% dos ingressantes em cursos de ciência, tecnologia, engenharia e matemática no Brasil. O professor e coordenador da equipe de Física da escola onde a estudante treina, Cadu Farias, destacou que a vaga foi conquistada sem necessidade de critérios adicionais.
“Ela brigou lá em cima e não precisou de cota. Passou por mérito próprio”, afirmou.
Mesmo diante desse cenário, a presença feminina tem avançado nos últimos anos, ainda que em ritmo inferior ao crescimento observado entre homens. A estudante afirma que pretende seguir carreira na área de Física, com interesse em computação quântica, e vê nas competições internacionais uma oportunidade de ampliar horizontes acadêmicos.
Com Informações do G1
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






