Uso de canetas emagrecedoras é investigado após seis mortes suspeitas no país

Anvisa apura notificações de pancreatite associadas a medicamentos para emagrecimento e reforça alerta sobre prescrição e acompanhamento médico

O uso de canetas emagrecedoras passou a ser investigado após o registro de seis mortes suspeitas e centenas de notificações de pancreatite no Brasil. Os dados constam no VigiMed, sistema oficial da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), e reúnem relatos feitos desde 2018, tanto no período pós-comercialização quanto durante estudos clínicos realizados no país.

As notificações envolvem medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, utilizados no tratamento da obesidade e do diabetes, como semaglutida, liraglutida, dulaglutida, tirzepatida e lixisenatida. Segundo a Anvisa, os casos registrados ocorreram em estados como São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal. No caso das mortes, as unidades federativas não foram detalhadas.

A investigação ganhou repercussão internacional no início do mês, após autoridades sanitárias do Reino Unido emitirem alerta sobre casos de pancreatite em usuários desses medicamentos. No Brasil, a Anvisa informa que os registros seguem classificados como suspeitos, já que cada notificação precisa passar por análise técnica para confirmação de eventual relação com o uso dos fármacos.

Autoridades sanitárias e especialistas reforçam que os dados não indicam a necessidade de suspensão do tratamento, mas chamam atenção para o uso responsável, com indicação médica adequada e acompanhamento contínuo.

“Esses medicamentos são importantes e podem salvar vidas, mas se tornam perigosos quando usados sem indicação correta ou de fontes irregulares”, afirma Alexandre Hohl, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso).

Subnotificação e uso irregular

A Anvisa destaca que o número de casos pode ser maior, já que a notificação de pancreatite não é compulsória. Além disso, há registros associados a produtos falsificados, manipulados ou irregulares, comercializados como “similares” aos medicamentos de referência.

No banco de dados do VigiMed, os relatos aparecem vinculados a marcas como Ozempic, Wegovy, Saxenda, Victoza, Trulicity, Mounjaro, Rybelsus e Xultophy. A agência ressalta, porém, que isso não permite afirmar que todos os casos estejam diretamente relacionados a essas marcas, já que há múltiplas variáveis envolvidas.

O risco de pancreatite é conhecido pela comunidade médica e consta nas bulas de medicamentos dessa classe. Em alguns casos, a inflamação do pâncreas é descrita como reação adversa incomum, mas possível durante o tratamento.

Especialistas lembram ainda que o público-alvo dessas terapias — pessoas com obesidade e diabetes — já apresenta maior risco para pancreatite, o que dificulta a associação direta entre o evento adverso e o medicamento.

“Ainda não é possível afirmar se esses quadros são causados pelo remédio ou pelas doenças de base dos pacientes”, explica Alexandre Hohl.

Medidas de controle

Em abril de 2025, a Anvisa determinou a retenção obrigatória da receita médica para a venda desses medicamentos, com o objetivo de ampliar o controle e garantir avaliação clínica criteriosa antes do início do tratamento. Segundo a agência, a medida tem se mostrado adequada, mas outras ações podem ser adotadas caso novos riscos sejam identificados.

Em nível global, há mais de 14 mil notificações de pancreatite associadas a esses medicamentos e centenas de mortes relatadas, segundo dados internacionais. Especialistas alertam que o principal fator de risco está no uso sem orientação profissional, especialmente de versões manipuladas, sem controle de dose e sem monitoramento clínico.

 

Com Informações do G1

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus