Vacina preventiva contra a raiva entra no planejamento para comunidades de difícil acesso

Estratégia discutida com os 62 municípios prevê ampliar a proteção contra a raiva humana em áreas indígenas, ribeirinhas, quilombolas e rurais do Amazonas

A vacinação preventiva contra a raiva humana pode passar a integrar o planejamento do calendário de imunização em comunidades de difícil acesso no Amazonas. A proposta foi discutida em uma reunião técnica realizada nos dias 21 e 22 de janeiro, que reuniu representantes dos 62 municípios do estado, com coordenação da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas – Dra. Rosemary Costa Pinto.

A iniciativa é voltada, principalmente, para populações indígenas, ribeirinhas, quilombolas e rurais da Amazônia Legal, consideradas mais expostas ao risco da doença. Nessas áreas, o contato frequente com morcegos hematófagos — hoje o principal transmissor da raiva no país — aumenta a vulnerabilidade à infecção.

Segundo a diretora-presidente da FVS-RCP, a proposta busca ampliar a prevenção em locais onde o acesso aos serviços de saúde é mais limitado.

“A raiva é uma doença grave, que pode ser evitada com a vacinação, mas que apresenta evolução fatal após o início dos sintomas. Antecipar a proteção é fundamental para reduzir riscos e salvar vidas”, destacou.

De acordo com informações apresentadas pela fundação, o Amazonas já possui mapeamento prévio dessas áreas e calendários de vacinação em funcionamento, o que pode facilitar a inclusão da vacina contra a raiva no planejamento estadual e auxiliar na definição do número de doses a serem solicitadas ao Ministério da Saúde.

Para a área técnica, o alinhamento com os municípios é decisivo para viabilizar a estratégia.

“O mapeamento das áreas e da população permite organizar a logística, otimizar o uso das doses e garantir uma execução mais eficiente da vacinação, respeitando as especificidades dos territórios de difícil acesso”, explicou a gerente de Imunização da FVS-RCP.

A proposta também leva em conta a maior vulnerabilidade das populações indígenas a agravos relacionados a animais. Segundo a avaliação técnica da fundação, o modo de vida em áreas de floresta amplia o contato com morcegos e outros mamíferos silvestres, além da exposição a animais peçonhentos.

Quem deve ser vacinado

A vacinação preventiva contra a raiva humana é indicada para crianças e adolescentes de 1 a 15 anos, que vivem em comunidades ribeirinhas, indígenas, quilombolas e rurais de difícil acesso da Amazônia Legal. O esquema é composto por duas doses, sendo a primeira aplicada no dia da vacinação e a segunda após sete dias.

Em casos de mordida ou arranhadura após a vacinação preventiva, o organismo já possui anticorpos contra o vírus, sendo necessária apenas a aplicação de doses de reforço, o que permite uma resposta imunológica mais rápida.

A orientação da FVS é que a vacinação ocorra, preferencialmente, até o fim do período chuvoso, quando o nível dos rios facilita o deslocamento das equipes de saúde. Após a reunião técnica, os municípios têm prazo de até 30 dias para encaminhar os dados das áreas mapeadas, possibilitando o início da vacinação no menor tempo possível.

 

Com Informações da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus