O turismo brasileiro vive uma temporada de verão que deve se consolidar como a mais forte da história em volume de negócios. A projeção é de um faturamento de R$ 218,77 bilhões entre dezembro de 2025 e fevereiro de 2026, o que representa crescimento de 3,7% em relação ao mesmo período do ano anterior. Os dados são da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC).
A estimativa indica que o verão responderá por cerca de 44% de toda a receita anual do turismo nacional, confirmando o peso estratégico da estação para a economia do setor. O desempenho é sustentado, principalmente, pelo avanço expressivo da chegada de visitantes estrangeiros ao país ao longo de 2025.
Segundo levantamento da CNC em parceria com a Embratur, o Brasil recebeu 7,68 milhões de turistas internacionais entre janeiro e outubro de 2025, um aumento de 42,2% na comparação com o mesmo período do ano anterior. A Argentina lidera o ranking de emissões, com 2,94 milhões de visitantes, seguida por Chile (662 mil) e Estados Unidos (614 mil), que juntos representam 55% do fluxo internacional.
Os gastos desses turistas já somaram US$ 6,04 bilhões até setembro, alta de 11,7% em relação a 2024, reforçando o impacto positivo da demanda externa sobre hotéis, restaurantes, transporte e serviços ligados ao lazer.
Para o presidente do sistema CNC-Sesc-Senac, José Roberto Tadros, a diversidade do país segue como um diferencial competitivo, mas há desafios estruturais a serem enfrentados.
“As diversidades geográficas e culturais são apenas dois dos fatores que fazem o Brasil ser um destino completo. Ainda precisamos desenvolver a malha aérea nas regiões Norte e Centro-Oeste para aproveitar melhor esse potencial, sempre com sustentabilidade e visão de médio prazo”, avaliou.
Preços mais baixos e mercado aquecido
Além do fluxo internacional, o cenário interno também contribui para o recorde projetado. Dados do IPCA mostram queda nos preços de serviços essenciais ao turismo, como passagens aéreas, que recuaram 14,4%, e passagens de ônibus interestaduais, com redução de 1,8% nos dez meses encerrados em outubro de 2024.
Esse ambiente de preços mais favoráveis ajudou o Brasil a alcançar um novo recorde no transporte de passageiros: 96,2 milhões de viajantes nos primeiros nove meses de 2025, superando a marca histórica registrada em 2015.
Empregos e setores mais beneficiados
A temporada de verão também deve ter forte impacto sobre o mercado de trabalho. A previsão é de abertura de 87,6 mil vagas temporárias formais, o maior volume para o período desde 2014, ano da Copa do Mundo no Brasil.
O setor de bares e restaurantes deve concentrar a maior parte do faturamento, com R$ 97,3 bilhões, além de responder por mais de 70% das contratações, cerca de 61,47 mil postos. O transporte em geral deve criar 12,25 mil vagas, enquanto a hospedagem projeta a abertura de 10,02 mil empregos temporários.
O economista-chefe da CNC, Fabio Bentes, destaca que o ambiente macroeconômico favorece o consumo ligado ao lazer.
“O baixo desemprego e a inflação em desaceleração ampliam o espaço no orçamento das famílias para gastos com viagens. Isso faz a economia do turismo girar e transforma deslocamentos em receita para diversos segmentos”, afirmou.
O salário médio de admissão para o período está estimado em R$ 1.912, valor 5,8% superior ao registrado no verão anterior.
Setor acima do nível pré-pandemia
Atualmente, o faturamento real do turismo brasileiro já está 13% acima do patamar pré-pandemia. Após a forte retração de 36,7% em 2020, o setor conseguiu recuperar as perdas até dezembro de 2022 e, desde então, mantém trajetória de crescimento contínuo, consolidando o verão de 2025/2026 como um dos marcos dessa retomada.
Com Informações da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






