Caso Benício: técnica diz que aplicou adrenalina “conforme prescrição” e aponta erro médico

Em novo desdobramento da investigação, profissional afirma que seguiu exatamente o que estava registrado na prescrição intravenosa

A investigação sobre a morte do menino Benício Xavier de Freitas, de 6 anos, ganhou um novo capítulo após o depoimento da técnica de enfermagem responsável pela aplicação da adrenalina. O caso, que ocorreu entre os dias 23 e 24 de novembro, segue sob análise do Ministério Público do Amazonas e da Polícia Civil.

Em depoimento, Raiza Bentes afirmou que aplicou a dose “conforme prescrição médica” e sem diluição, exatamente como estava anotado. Segundo ela, a mãe da criança chegou a questionar o procedimento.

“Eu administrei a medicação conforme a prescrição médica. Não tive auxílio, estava sozinha. A mãe questionou a via de administração, mas estava prescrito intravenoso”, declarou.

A técnica também disse que mostrou a prescrição à mãe e que a médica do plantão reconheceu o erro no próprio prontuário.

“Tudo o que eu fiz na criança, eu informei à mãe. Inclusive mostrei a prescrição médica. A médica admitiu que havia prescrito erroneamente a medicação, e isso consta na evolução médica”, afirmou.

Ela explicou ainda que a prescrição previa três doses de adrenalina, uma a cada 30 minutos, mas que apenas a primeira foi aplicada. Depois disso, segundo disse, Benício passou a relatar dor no peito e apresentou piora, momento em que a enfermeira chamou a médica responsável.

A técnica destacou que tem sete meses de formação e reforçou que não pode realizar nenhum procedimento sem autorização formal.

“Ainda que a médica tivesse chegado comigo e falado que queria fazer nebulização, eu não posso fazer o que não está prescrito”, completou.

Investigação segue em andamento

O caso é investigado como homicídio doloso qualificado, segundo a Polícia Civil. A médica responsável pelo atendimento teve habeas corpus preventivo concedido pela Justiça e responderá em liberdade.

A defesa da médica nega erro e afirma que ela solicitou medidas emergenciais após a reação da criança. No entanto, especialistas ouvidos no inquérito afirmaram que não existe antídoto capaz de reverter uma overdose de adrenalina.

Benício havia sido levado ao hospital com tosse seca e suspeita de laringite. Após a piora do quadro e tentativas de reanimação, ele morreu às 2h55 do domingo (24).

 

 

Com informações do G1 Amazonas

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus