O brasileiro Marcelo Alexandre da Silva Pereira, de 29 anos, foi recrutado pelo Exército da Rússia após aceitar uma proposta de emprego para trabalhar como motorista. Natural de Boa Vista, capital de Roraima, ele deixou no Brasil a esposa grávida, Gisele Pereira Serrão, de 24 anos, e três filhos pequenos. O caso é acompanhado pelo Ministério das Relações Exteriores.
Segundo a família, Marcelo saiu do país acreditando que exerceria uma atividade civil, mas, ao chegar à Rússia, foi obrigado a assinar um contrato com as forças armadas do país. Ele fala apenas português e não compreende outros idiomas. O documento, redigido em russo, foi assinado sem que ele entendesse o conteúdo.
Antes da viagem, Marcelo trabalhava de forma informal como motorista e também como frentista em um posto de combustíveis em Boa Vista. De acordo com a esposa, ele pediu demissão após receber a proposta para ir à Rússia. O casal planejava formalizar o casamento e adquirir casa e carro.
“A gente tinha planos de ter nossa casa e nosso carro”, disse Gisele. “Foi tudo muito rápido com essa viagem, mas a gente tentava se manter aqui em Boa Vista do jeito que dava.”
A mãe de Marcelo, Alessandra da Silva, de 47 anos, afirmou que o filho enfrentava dificuldades financeiras quando recebeu a oferta. “Ele estava muito perturbado aqui”, relatou. Segundo ela, Marcelo tinha dívidas e era cobrado pelo pagamento de pensão.
Viagem e contrato militar
A ida à Rússia ocorreu após a proposta feita por um amigo brasileiro que mora em Boa Vista. Com apoio de uma empresa que se apresenta nas redes sociais como assessoria para ingresso no Exército russo, Marcelo conseguiu o passaporte e teve a passagem comprada.
De acordo com Gisele, ele recebeu a passagem no dia 28 de novembro, embarcou em 30 de novembro e chegou a Moscou em 3 de dezembro. No dia 9, informou à esposa que precisou assinar contrato com o Ministério da Defesa da Rússia.
No contrato, do qual Marcelo conseguiu fotografar e enviar cópias à companheira, consta que ele deve atuar como atirador, com uso de um fuzil AK-74. A família acredita que ele esteja em Luhansk, cidade localizada na Ucrânia, onde estaria passando por treinamento militar.
Pedido de ajuda
Gisele afirma que mantém contato esporádico com o marido por meio do aplicativo Telegram. Segundo ela, Marcelo pede ajuda para retornar ao Brasil e relata dificuldades de comunicação.
“Ele falou assim: ‘amor, tô com saudade. Tenta acionar o consulado daqui, pois não tô conseguindo entrar em acordo com o pessoal, pois eles não me entendem e eu nem entendo eles. Já pedi para o subcomandante me tirar daqui e expliquei que vim por uma falsa promessa de emprego civil. Mas eles não tão me dando ouvido’”, contou.
O último contato ocorreu na quarta-feira (31), véspera do Ano-Novo. Em um áudio enviado à esposa, Marcelo afirmou.
“Tu na luta aí, eu na luta aqui, para nada acontecer. Espero em Deus que, o mais rápido possível. Ele vai me tirar daqui”.
A família informou que Marcelo chegou a procurar o consulado brasileiro na Rússia, mas ouviu que “esses casos acontecem” e que ele “não é o primeiro”.
Alerta diplomático
Em novembro, a embaixada do Brasil em Moscou publicou um alerta contra o alistamento voluntário de brasileiros em forças armadas estrangeiras, após o aumento de registros de brasileiros mortos ou com dificuldades para interromper a participação no Exército russo.
A Rússia está em guerra contra a Ucrânia desde fevereiro de 2022, quando o presidente Vladimir Putin autorizou a ofensiva militar contra o território ucraniano. Desde o início do conflito, houve milhares de mortes, milhões de refugiados e combates concentrados principalmente nas regiões leste e sul da Ucrânia.
Com informações da G1 Roraima*
Por Haliandro Furtado — Redação da Jovem Pan News Manaus






