Quem fica no comando? Trump anuncia gestão dos EUA e Justiça da Venezuela reage com presidente interina

Após prisão de Nicolás Maduro, tribunal venezuelano nomeia Delcy Rodríguez enquanto Washington fala em administração provisória do país

O Tribunal Supremo de Justiça da Venezuela determinou, neste sábado (3), que a vice-presidente Delcy Rodríguez assuma interinamente os poderes do presidente Nicolás Maduro, preso pelos Estados Unidos após uma ofensiva militar em Caracas. A decisão ocorre no mesmo dia em que o presidente norte-americano Donald Trump afirmou que os EUA pretendem administrar a Venezuela até que haja uma transição política.

Segundo a Corte, Rodríguez passa a exercer “o cargo de Presidente da República Bolivariana da Venezuela, a fim de garantir a continuidade administrativa e a defesa integral da Nação”. O tribunal informou ainda que irá deliberar sobre o enquadramento jurídico para assegurar o funcionamento do Estado diante da ausência forçada do chefe do Executivo.

Em pronunciamento transmitido pela televisão estatal, Delcy Rodríguez convocou ministros e a população a resistirem a uma intervenção estrangeira. Ela classificou a captura de Maduro como um “sequestro” e afirmou que o país “nunca será colônia de nenhuma nação”.

“A Venezuela só tem um presidente: Nicolás Maduro”, declarou.

O discurso foi feito em Caracas, ao lado do presidente da Assembleia Nacional, Jorge Rodríguez, irmão da vice-presidente, além do ministro do Interior, Diosdado Cabello, e dos ministros das Relações Exteriores e da Defesa.

Declaração de Trump

Horas antes, Donald Trump anunciou que os Estados Unidos irão assumir a administração da Venezuela por meio de um “grupo” formado por integrantes do alto escalão do governo norte-americano, até que ocorra uma transição de poder. O presidente não informou prazos nem detalhou como o arranjo funcionará.

“Nós vamos administrar o país até que haja uma transição adequada, justa e legal. Queremos liberdade e justiça para o grande povo da Venezuela”, afirmou Trump, em pronunciamento realizado em sua residência em Mar-a-Lago, na Flórida.

Trump disse ainda que o grupo não incluirá a líder oposicionista María Corina Machado, apesar de pedidos para que a oposição assumisse imediatamente o poder. Segundo o presidente dos EUA, a oposicionista “não tem apoio interno nem respeito suficiente para governar”.

Durante a fala, Trump citou a Doutrina Monroe — política histórica dos Estados Unidos para a América Latina — e afirmou que “o domínio americano no Hemisfério Ocidental nunca mais será questionado”.

O cenário venezuelano segue em rápida evolução, com reações internas à prisão de Maduro e o anúncio de Washington sobre uma administração provisória, enquanto a comunidade internacional acompanha os desdobramentos.

 

Com Informações da Agência Brasil

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus