Exclusivo: Márcio Paixão detalha projetos de dados econômicos e educação financeira em entrevista à Jovem Pan News Manaus

O presidente do Conselho Regional de Economia do Amazonas e Roraima (Corecon-AM/RR), Márcio Paixão, participou do programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Manaus, onde abordou iniciativas em andamento voltadas à produção de dados econômicos regionais, à comunicação acessível da economia e à ampliação da educação financeira.

Durante a entrevista, Paixão explicou que o Conselho está desenvolvendo um projeto para estruturar um banco de dados econômicos mais consistente para o Amazonas e Roraima.

“Nós temos desenvolvido um projeto, que está em fase final, com o objetivo de criar um banco de dados mais sólido e fidedigno em relação aos números econômicos.”

Segundo ele, a carência de informações consolidadas afeta diversas instituições públicas e privadas, dificultando análises e tomadas de decisão.

“Hoje, para qualquer tomada de decisão, é imprescindível trabalhar com dados. Seja na hora de investir, de ampliar ou de expandir uma atividade, os dados são fundamentais.”

O banco de dados, ainda em fase de desenvolvimento, deverá utilizar inteligência artificial para extração de informações e contará com governança definida. A proposta é permitir o acesso a indicadores como nível de emprego, faturamento do comércio e outros dados econômicos.

“Esse banco será alimentado por meio de extração de informações com uso de inteligência artificial, permitindo a criação de uma base robusta, com governança definida.”

Na entrevista, Márcio Paixão destacou que, enquanto os dados da indústria são mais fáceis de mensurar, o comércio ainda carece de mecanismos mais precisos de acompanhamento.

“A indústria é relativamente fácil de mensurar. Mas e o comércio? Como medir a atividade comercial de forma precisa? A proposta é justamente criar um mecanismo que permita essa mensuração.”

Ao abordar conceitos econômicos, o presidente do Corecon-AM/RR explicou o impacto da geração de empregos na dinâmica da economia.

“Para cada emprego gerado na indústria, estima-se que outros quatro sejam criados no comércio e nos serviços.”

Ele também falou sobre o chamado efeito multiplicador da renda.

“Quando se gera emprego, gera-se renda. Essa renda impulsiona o consumo, aumenta a arrecadação e retorna para a economia, criando um ciclo.”

Outro ponto abordado foi a comunicação da economia para o público em geral. Paixão anunciou a criação de um podcast em parceria com a Jovem Pan, com foco em linguagem acessível.

“Não adianta falar de taxa Selic, elasticidade ou ciclo de alta como se estivéssemos falando outra língua. Comunicação clara é fundamental.”

Segundo ele, o objetivo é aproximar os temas econômicos da população.

“O podcast vai proporcionar informação com uma linguagem simples, acessível e direta.”

A entrevista também destacou o programa Corecon nas Escolas, voltado à educação financeira em escolas e faculdades.

“Educação financeira desde a origem — desde a adolescência, desde a infância — para que essas crianças e jovens entendam o valor do dinheiro.”

Paixão afirmou que o avanço do empreendedorismo reforça a necessidade desse tipo de formação.

“Com o avanço da pejotização e do empreendedorismo, esse debate se torna ainda mais necessário.”

Ele também mencionou experiências internacionais para exemplificar a formação econômica desde cedo.

“Quando olhamos para países como os Estados Unidos, vemos que os estudantes do ensino médio já dominam conceitos de empreendedorismo e economia.”

Ao tratar da atuação institucional do Conselho, o presidente reforçou o compromisso com dados técnicos e independentes.

“Nós temos um cuidado extremo com a informação que produzimos: ela precisa ser fiel, neutra e independente.”

Por fim, Márcio Paixão destacou a importância da produção de indicadores regionais, como o custo da cesta básica.

“Não adianta utilizar apenas a cesta básica calculada pelo IBGE. Os custos, a logística e o padrão de consumo variam de região para região.”

Segundo ele, dados que não refletem a realidade local podem comprometer o planejamento de políticas públicas.

“Quando se usa um dado que não reflete fielmente o custo de vida regional, corre-se o risco de planejar mal e aplicar políticas públicas que não atendem às necessidades da população.”

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.