Bolsonaro passa primeira noite na Papudinha sob vigilância reforçada e acompanhamento médico

Ex-presidente foi transferido por decisão de Moraes e ficará em cela separada após condenação a 27 anos e 3 meses
Foto: Tânia Rego/Agência Brasil/Arquivo

O ex-presidente Jair Bolsonaro passou a primeira noite do no 19º Batalhão da Polícia Militar do Distrito Federal, no Complexo Penitenciário da Papuda, conhecido como Papudinha, foi marcada por acompanhamento médico, rotina protocolar e vigilância reforçada. Ele foi transferido para o local por determinação do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, responsável pela execução da pena.

Fontes relataram que Bolsonaro deixou a Superintendência da Polícia Federal, na noite de quinta-feira (15), soluçando. O quadro se repetiu horas depois, já na nova cela, mas foi considerado “dentro da normalidade” pela equipe que o acompanha. Ainda assim, o ex-presidente permaneceu estável, tranquilo e chegou a cumprimentar os policiais militares de plantão.

Condenado a 27 anos e 3 meses de prisão por liderar a trama golpista, Bolsonaro cumprirá pena em regime fechado, em cela separada dos demais presos do local, entre eles o ex-ministro da Justiça Anderson Torres e o ex-chefe da PRF Silvinei Vasques.

Na decisão, Moraes autorizou a transferência por entender que o novo espaço oferece condições mais amplas para atender às demandas médicas apresentadas pela defesa. Diferentemente da carceragem da Polícia Federal, o local permite circulação mais livre em área isolada e a instalação de equipamentos para fisioterapia, como esteira e bicicleta, indicados por médicos do ex-presidente.

Na carceragem da PF, onde Bolsonaro permaneceu desde o trânsito em julgado da condenação, a cela tinha 12 m², com banheiro privativo, ar-condicionado, televisão, frigobar, médico de plantão 24 horas e autorização para acesso irrestrito de médicos particulares. Moraes registrou na decisão que as condições eram “extremamente favoráveis” quando comparadas ao sistema prisional brasileiro e rebateu críticas de filhos, aliados e parlamentares, que classificaram o local como inadequado. Para o ministro, houve “tentativa sistemática de deslegitimar o regular cumprimento da pena”, ignorando os privilégios concedidos em razão do cargo anteriormente ocupado pelo condenado.

Entre os pedidos da defesa, Moraes autorizou atendimento médico integral, com plantão 24 horas, deslocamento imediato para hospitais em caso de urgência, sessões de fisioterapia nos horários indicados pelos médicos, assistência religiosa semanal e participação em programa de remição de pena por leitura. A medida foi adotada após o ex-presidente demonstrar desconfiança em relação à origem dos alimentos fornecidos pelo Estado, argumento citado por familiares e rebatido na decisão.

A preocupação com a saúde de Bolsonaro mobilizou a Secretaria de Saúde do Distrito Federal. Após a ordem de Moraes, a pasta precisou montar uma escala especial. Em mensagem enviada por WhatsApp a médicos da rede pública, a secretaria pediu apoio para “atender uma demanda de urgência”, solicitando profissionais para plantões noturnos durante a semana e cobertura diurna e noturna nos fins de semana. A Papudinha já conta com equipe de saúde própria, mas o atendimento regular ocorre apenas durante o dia e em dias úteis.

Apesar do episódio de soluços e do pedido de avaliação médica ainda na PF, Bolsonaro não precisou ser removido para hospital na primeira noite. Ele deve ser acompanhado novamente por seus médicos pessoais nesta sexta-feira (16). Por determinação judicial, também será submetido a uma junta médica oficial da Polícia Federal, que avaliará se há necessidade de novas adaptações no local ou eventual transferência para hospital penitenciário.


Com informações do Metrópoles*

Por Haliandro Furtado — Redação da Jovem Pan News Manaus