Cinema brasileiro em alta no cenário internacional com destaque para produções amazônicas

Produções premiadas destacam a sétima arte na Amazônia e ampliam o debate sobre identidade cultural local.

A Amazônia tem fortalecido sua presença no audiovisual ao produzir filmes que discutem identidade, memória e pertencimento a partir de narrativas locais. Fora do eixo tradicional do cinema nacional, a região construiu uma trajetória própria desde o início do século XX, com experiências em Belém e Manaus que buscaram romper estereótipos e propor uma representação mais próxima da realidade amazônica.

Em Manaus, o cineclubismo a partir da década de 1960 estimulou produções críticas à visão exotizada da região. Em Belém, salas como o Theatro Odeon tiveram papel importante na circulação de filmes nacionais e internacionais, criando um ambiente favorável à formação cultural e ao debate cinematográfico.

Produções amazônicas em circulação

O cinema produzido na Amazônia segue ampliando seu alcance. O longa Manas, dirigido por Marianna Brennand, foi escolhido para representar o país no Prêmio Goya 2026, na categoria Melhor Filme Ibero-Americano. Ambientado no Pará, o filme acompanha a trajetória de uma adolescente da Ilha do Marajó e aborda temas como violência, exploração e resistência. A obra já acumula mais de 20 premiações internacionais, incluindo reconhecimentos em Veneza, Cannes e no Festival do Rio.

O cinema e a produção audiovisual no Amazonas seguem ganhando destaque, mostrando que a região é um verdadeiro celeiro de talentos. Ruan Octávio, coordenador de Cultura do Governo Federal no Amazonas, comentou sobre os investimentos e o potencial da capital e do estado para se tornarem referência na produção de filmes e conteúdos audiovisuais.

Temos o setor do audiovisual, que ainda no ano passado foi garantido um recurso do Governo Federal dentro de um edital chamado Arranjos Regionais. Vamos transformar a nossa capital num grande celeiro de produção audiovisual e colocar a nossa turma para produzir e exportar seus filmes”, destacou.

Outra produção recente é Mawé, de Jimmy Christian, exibida em Manaus com sessão gratuita seguida de debate. O filme narra o conflito vivido por um jovem da etnia Saterê Mawé entre tradição e vida urbana, propondo reflexões sobre identidade indígena e pertencimento.

O audiovisual amazonense também marca presença em festivais nacionais. Na 29ª Mostra de Cinema de Tiradentes, dois filmes do estado foram selecionados: Obeso Mórbido, de Diego Bauer, que reflete sobre corpo, exclusão e masculinidade, e Confluência dos Olhos D’Água, de Keila-Sankofa, que investiga ancestralidade, território e memória por meio de uma narrativa simbólica.

O Amazonas já tem histórico de exportação de talentos, com artistas e profissionais que ganharam projeção nacional e internacional. Novas produções, como Manas e Mawé, reforçam esse protagonismo, abordando temas regionais com narrativa universal.

O Amazonas sempre foi um espaço de amplo… um amplo celeiro de talentos. A gente sempre exportou talentos para fora do Amazonas e aqui a gente tem grandes… nós vamos continuar fazendo isso. Quem sabe a gente vai ter grandes filmes aí em Cannes, no Globo de Ouro, né? Ajudar a fomentar essa grande indústria nacional do audiovisual”, destacou o coordenador de cultura no estado.

Cinema brasileiro no cenário internacional

O fortalecimento do cinema amazônico ocorre em um momento de projeção internacional do cinema brasileiro. Em 2025, Ainda Estou Aqui, de Walter Salles, venceu o Oscar® de Melhor Filme Internacional, retratando a busca por justiça durante a ditadura militar e ampliando a visibilidade do audiovisual nacional.

Outro destaque recente é O Agente Secreto, de Kleber Mendonça Filho, vencedor do Critics Choice Awards 2026 na categoria de filme em língua estrangeira. A produção acumulou dezenas de prêmios internacionais, alcançou mais de um milhão de espectadores e reforçou o potencial de histórias locais com alcance global.

Obras como Bacurau, A Vida Invisível, Central do Brasil e O Som ao Redor consolidam esse percurso ao apresentar narrativas diversas, conectadas a diferentes realidades regionais, fortalecendo o reconhecimento do cinema produzido no Brasil.

Foto: Laryssa Gaynett
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus