Trump detona apresentação de Bad Bunny no intervalo do Super Bowl

Presidente dos EUA criticou performance em espanhol e disse que espetáculo foi “um dos piores de todos os tempos”

A apresentação histórica de Bad Bunny no intervalo Super Bowl provocou forte reação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Nesta segunda-feira, 9, ele usou as redes sociais para atacar duramente o show do rapper porto-riquenho, classificando a performance como “um dos piores de todos os tempos” e uma afronta aos valores americanos.

Trump não esteve presente no estádio para acompanhar a final da NFL. O presidente optou por assistir à partida em uma festa privada na Flórida. Ainda assim, acompanhou o espetáculo do intervalo e fez uma série de críticas públicas ao artista, principalmente ao fato de o show ter sido apresentado inteiramente em espanhol.

“O show do intervalo do Super Bowl é absolutamente terrível, um dos piores DE TODOS OS TEMPOS! Não faz sentido, é uma afronta à grandeza da América e não representa nossos padrões de sucesso, criatividade ou excelência”, escreveu Trump em uma publicação na Truth Social.

Foto: Reprodução / Truth Social

Em outro trecho, o presidente reforçou o tom crítico e atacou diretamente o conteúdo artístico da apresentação. “Este ‘show’ é apenas um ‘tapa na cara’ do nosso país, que está estabelecendo novos padrões e recordes todos os dias.”

Trump também reclamou da linguagem utilizada por Bad Bunny e do estilo da performance. “Ninguém entende uma palavra do que esse cara está dizendo, e a dança é repugnante, especialmente para as crianças pequenas que estão assistindo em todos os Estados Unidos e no mundo inteiro”, afirmou. Em seguida, voltou a atacar a imprensa: “Não há nada de inspirador nessa bagunça de show do intervalo e, podem apostar, vai receber ótimas críticas da mídia de fake news, porque eles não têm a menor ideia do que está acontecendo no MUNDO REAL.”

As críticas do presidente não causaram surpresa. Antes mesmo do Super Bowl, Trump já havia declarado que Bad Bunny era uma “escolha terrível” para o intervalo do evento e, na semana passada, chegou a sugerir que a atração musical foi um dos motivos para não comparecer presencialmente à decisão da NFL.

Apesar da reação negativa do presidente, a apresentação entrou para a história do evento. Bad Bunny, nome artístico de Benito Antonio Martínez Ocasio, foi o primeiro cantor solo latino a se apresentar no intervalo do Super Bowl e também o primeiro a levar ao palco um repertório totalmente em espanhol. O show contou com participações especiais de artistas como Lady Gaga e Ricky Martin, além de referências visuais e teatrais a diferentes fases da carreira do cantor.

Durante a performance, Bad Bunny transmitiu uma mensagem de união entre os povos das Américas. Em um dos momentos finais, ele recebeu uma bola de futebol americano com a frase “Juntos, somos a América”, enquanto o telão exibia a mensagem “A única coisa mais poderosa que o ódio é o amor”. Em sua fala final, o artista ampliou o significado da expressão “Deus abençoe a América”, incluindo todos os países do continente — do Chile ao Canadá — com menção direta ao Brasil.

O embate entre Bad Bunny e Trump não é recente. O cantor já havia feito críticas ao governo do republicano anteriormente. No Grammy, ao vencer a categoria de álbum do ano com “Debí Tirar Más Fotos”, tornando-se o primeiro artista a conquistar o principal prêmio da cerimônia com um disco em espanhol, ele protestou contra as operações do ICE, a polícia de imigração dos Estados Unidos, em meio à política de deportações em massa da Casa Branca. “Antes de agradecer a Deus, vou dizer: Fora ICE!”, declarou no início do discurso.

 

 

 

Por Victoria medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: Kevin C. Cox / AFP