Unidos do Alvorada transforma a BR-319 em enredo e encerra o Carnaval de Manaus 2026

Escola fecha os desfiles do Grupo Especial com uma narrativa simbólica sobre identidade amazônica, abandono histórico, preservação ambiental e esperança de reconstrução.

 

O cronômetro marcou 1h10min14s quando a Unidos do Alvorada cruzou a linha amarela da passarela pela última vez em 2026, encerrando os desfiles do Grupo Especial do Carnaval de Manaus. Com o enredo “Uma estrada, uma vida, um sonho: o alvorecer da BR-319”, a escola encantou a avenida nas primeiras horas da manhã deste domingo (15), levando o público a uma viagem simbólica pela rodovia que conecta o Amazonas ao restante do país.

Uma viagem pela Amazônia

A narrativa começou em Manaus e seguiu até Humaitá, no sul do estado, representados logo na comissão de frente. O desfile foi apresentado como uma travessia histórica e afetiva, marcada pelo apito simbólico da maria-fumaça da ferrovia Madeira-Mamoré, que anunciava o “embarque” dos mais de 3.100 componentes.

No abre-alas, a escola exaltou os encantos da capital e a força da terra baré, com referências ao Monumento de Abertura dos Portos e ao Teatro Amazonas, em meio a figurinos inspirados na época de ouro do ciclo da borracha.

Crítica social e abandono

Sem romantizar a trajetória, o desfile também expôs as mazelas históricas da rodovia. No segundo setor, ao som da bateria Sensação, a escola representou o chamado “trecho do meio” da BR-319 com imagens de lama, terra e uma grande caveira de olhos vermelhos, símbolo do abandono, dos atoleiros e do isolamento enfrentado por quem depende da estrada para viver, trabalhar e circular.

A alegoria traduziu o medo, o risco e a violação do direito de ir e vir, transformando o sofrimento cotidiano em linguagem estética e política.

Natureza, conflito e resistência

O desfile também abriu espaço para a preservação ambiental e para a denúncia dos impactos da exploração predatória no sul do estado. A narrativa percorreu o caminho da ganância humana até a resistência da fauna, da flora e dos povos da floresta.

Um dos momentos mais marcantes foi o encontro simbólico entre a onça — dona da terra — e o forasteiro, no ponto alto da apresentação do segundo casal de mestre-sala e porta-bandeira, traduzindo o conflito entre desenvolvimento, exploração e conservação.

Reconstrução e esperança

O encerramento trouxe uma mensagem de reconstrução. O terceiro carro alegórico apresentou o “alvorecer da BR-319” com uma fênix azul que carregava a bandeira do Amazonas no bico, símbolo de renascimento, resistência e esperança.

Mais do que um clamor da comunidade da Zona Oeste, a imagem representou um pedido coletivo de diferentes setores da sociedade amazonense e nortista por dignidade, integração e repavimentação da rodovia. De mãos dadas, os componentes encerraram o desfile criando uma “ponte simbólica” entre comunidades, fechando o Carnaval de 2026 com uma mensagem de união, futuro e reconstrução.

 

Com informações da A Critica
Foto: Daniel Brandão/A CRÍTICA
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus