A menos de um mês da Páscoa, consumidores já percebem preços mais altos nas prateleiras de supermercados e lojas especializadas. Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que o preço do chocolate em barra e do bombom subiu 24,77% nos últimos 12 meses até janeiro, percentual muito acima da inflação geral do país no período.
O aumento tem impacto direto na cesta de produtos típicos da data e ajuda a explicar um fenômeno que vem se tornando cada vez mais comum nas gôndolas: o crescimento de itens classificados como “sabor chocolate”, “cobertura sabor chocolate” ou produtos feitos com gordura vegetal.
Segundo a nutricionista Ana Flora, entender a diferença entre chocolate de verdade e esses produtos é fundamental para o consumidor fazer uma escolha consciente.
“Chocolate de verdade tem como base o cacau e a manteiga de cacau. Já os produtos sabor chocolate levam gorduras vegetais e aditivos para reduzir custos. Por isso, olhar a lista de ingredientes é sempre muito importante”, explica.
Diferença está na composição
De acordo com a especialista, a principal mudança ocorre quando a manteiga de cacau é substituída por gordura vegetal. Além de alterar o sabor e a textura, a substituição modifica o perfil nutricional do produto.
“Quando a manteiga de cacau é trocada por outros ingredientes vegetais, o produto fica mais barato, mas também muda o perfil nutricional. Normalmente há mais gordura saturada, menos cacau e menos compostos antioxidantes”, afirma a nutricionista.
Esses antioxidantes estão presentes no cacau e são associados a alguns benefícios à saúde quando o consumo é feito com moderação.
Como identificar chocolate de verdade
Para evitar confusão na hora da compra, a recomendação é observar atentamente o rótulo do produto, especialmente a lista de ingredientes.
“Os ingredientes aparecem em ordem de quantidade. Se o açúcar aparece primeiro, significa que ele está em maior proporção no produto. Já quando o cacau aparece primeiro, indica maior teor de cacau naquele chocolate”, orienta Ana Flora.
Outro indicativo importante é o percentual de cacau informado na embalagem.
“Chocolates com 60%, 70% ou 80% de cacau geralmente têm mais antioxidantes e menos açúcar. Por isso, costumam ser opções nutricionalmente mais interessantes”, explica.
Preço influencia escolhas do consumidor
O aumento do chocolate ocorre às vésperas da Páscoa e está ligado principalmente à crise internacional do cacau registrada em 2024, quando quebras de safra em países africanos elevaram o preço da matéria-prima no mercado global.
Mesmo com a recente queda nas cotações do cacau, especialistas explicam que o efeito ainda não chegou totalmente ao consumidor, porque a indústria trabalha com estoques e contratos de compra realizados em períodos de preço mais alto. Diante desse cenário, a nutricionista reforça que o consumidor deve avaliar não apenas o preço do produto, mas também a sua composição.
“Antes de comprar, vale sempre conferir o rótulo e a lista de ingredientes. Produtos com mais cacau e menos ingredientes costumam indicar um chocolate de melhor qualidade”, conclui.
Com Informações do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






