O primeiro criadouro científico de escorpiões autorizado no Amazonas passará a funcionar em Manaus após a concessão de licença ambiental pelo Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (Ipaam). O licenciamento foi emitido nesta quarta-feira, 11, para a Fundação de Medicina Tropical Doutor Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD), localizada na zona centro-oeste da capital.
A autorização foi concedida por meio da Licença Ambiental Única (LAU nº 059/2026) e permite que a instituição mantenha escorpiões em ambiente controlado para fins científicos. A iniciativa tem como objetivo ampliar estudos sobre a fauna amazônica e os efeitos da peçonha desses animais na saúde humana.
No criadouro serão mantidas quatro espécies de escorpiões encontradas na região amazônica: Tityus metuendus, Tityus silvestris, Tityus dinizi e Brotheas amazonicus.
Segundo o diretor-presidente do Ipaam, Gustavo Picanço, a autorização abre espaço para que instituições de pesquisa desenvolvam estudos com fauna silvestre de forma regularizada e com acompanhamento ambiental.
“Estamos abrindo uma alternativa que não atende apenas a um criadouro, mas contribui diretamente para a ciência e para a saúde. Quando falamos de pesquisa, as possibilidades são amplas e podem trazer novos caminhos para tratamentos e soluções na área médica”, afirmou.
Estudos sobre veneno e comportamento
A gerente de Fauna Silvestre do Ipaam, Sônia Canto, destacou que ainda existem muitas lacunas científicas sobre o comportamento e a biologia dessas espécies.
“Ainda existem muitas lacunas sobre a biologia desses animais, o comportamento e até sobre o próprio veneno. Esses estudos podem contribuir para a medicina e também para orientar melhor a população sobre como agir ao encontrar um escorpião”, explicou.
Segundo ela, o criadouro científico permitirá aprofundar pesquisas sobre os efeitos da peçonha e ampliar o conhecimento sobre essas espécies.
Ampliação das pesquisas
A pesquisadora da Fundação de Medicina Tropical e professora da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Jacqueline Sachett, destacou que a licença ambiental permitirá ampliar o número de escorpiões mantidos em cativeiro, o que é essencial para o desenvolvimento de pesquisas.
“Para obter uma quantidade significativa de veneno para estudo, é necessário manter um número maior de escorpiões em cativeiro. Até agora não podíamos realizar coletas em campo porque ainda não tínhamos a licença ambiental”, explicou.
Segundo a pesquisadora, muitos dos exemplares utilizados atualmente nos estudos foram levados ao hospital por pacientes ou encontrados em áreas urbanas.
“Com a licença, agora será possível realizar coletas de forma regularizada e ampliar a criação desses animais para avançar nas pesquisas”, afirmou.
Licença tem validade de um ano
A Licença Ambiental Única concedida pelo Ipaam tem validade de um ano e estabelece uma série de condicionantes que deverão ser cumpridas pela fundação.
Entre as exigências estão a apresentação periódica de relatórios sobre os animais mantidos no criadouro e o cumprimento das normas federais que regulamentam a criação de fauna silvestre para fins científicos.
O documento também determina que qualquer alteração na atividade ou no número de animais deverá ser previamente comunicada e autorizada pelo órgão ambiental estadual.
Com Informações do Ipaam
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






