A saúde dos rins ganha destaque nesta quinta-feira (12) com a celebração do Dia Mundial do Rim, uma data dedicada à conscientização sobre a prevenção e o diagnóstico precoce das doenças renais. Em 2026, a campanha completa 20 anos e traz como tema “Cuidar de pessoas e proteger o planeta”, reforçando a importância de políticas de saúde inclusivas e sustentáveis.
A mobilização é coordenada no Brasil pela Sociedade Brasileira de Nefrologia, que alerta para o impacto crescente da doença renal crônica e para a necessidade de ampliar o acesso ao diagnóstico e ao tratamento.
Em entrevista ao programa Minuto a Minuto, da Jovem Pan News Manaus, o médico nefrologista Miguel Moura destacou que a falta de informação ainda é um dos principais obstáculos quando o assunto é saúde renal.
Logo no início da conversa, o especialista explicou que muitas pessoas sequer sabem qual é o papel do médico responsável por tratar os rins.
Quando a gente conversa sobre nefrologia com as pessoas em geral, se você perguntar para dez pessoas o que é um nefrologista, talvez três ou quatro saibam responder. Diferente de especialidades como cardiologia, por exemplo, o médico dos rins ainda não é tão conhecido”, afirmou.
Segundo ele, iniciativas como o Dia Mundial do Rim são fundamentais justamente para ampliar a conscientização da população.
Nosso papel nesse momento é divulgar cada vez mais informação e abrir espaços para que a população entenda a importância de cuidar da saúde renal”, acrescentou.
Doenças silenciosas e comuns
De acordo com o nefrologista, a doença renal crônica tem uma prevalência significativa na população e, em muitos casos, está relacionada a problemas de saúde bastante comuns.
Entre os principais fatores de risco estão o diabetes e a hipertensão arterial.
Grande parte dos casos de doença renal acontece pela falta de cuidado com doenças muito frequentes, como o diabetes e a pressão alta”, explicou.
O médico detalha que essas condições afetam diretamente os vasos sanguíneos do organismo, inclusive os que irrigam os rins.
No caso do diabetes, por exemplo, o excesso de açúcar no sangue inflama os tecidos e os vasos sanguíneos. Isso prejudica a circulação e pode comprometer órgãos importantes. Se essa circulação no rim é afetada, o paciente pode desenvolver doença renal crônica”, disse.
Quando a função renal deixa de funcionar
Em estágios mais avançados da doença, pode ser necessário recorrer à diálise, procedimento que substitui temporariamente parte da função dos rins.
A diálise é uma forma de fazer com que o paciente tenha as funções renais supridas por uma máquina, já que os rins não estão mais funcionando adequadamente”, explicou o médico.
Segundo ele, em alguns casos o tratamento pode ser temporário, mas quando há perda permanente da função renal, o procedimento passa a ser contínuo.
Quando existe um dano progressivo e irreversível, a diálise acaba se tornando um suporte permanente para o paciente”, afirmou.
Beber água não é solução única
Uma crença comum entre muitas pessoas é a de que beber bastante água seria suficiente para evitar problemas nos rins. No entanto, o especialista alerta que essa ideia precisa ser vista com cautela.
Muitos pacientes acreditam que tomar muita água resolve tudo. Mas isso pode levar a um certo relaxamento em relação ao que realmente importa, que é controlar doenças como pressão alta e diabetes”, destacou.
O médico explica que a hidratação é importante, mas não substitui o acompanhamento médico e o controle adequado de doenças crônicas.
Em algumas condições específicas, como pedra nos rins, beber água ajuda bastante. Mas em outras situações, principalmente em doenças renais mais avançadas, o excesso de líquidos pode até ser prejudicial”, afirmou.
Sintomas podem aparecer tarde
Outro ponto de atenção destacado por Miguel Moura é que a doença renal costuma evoluir de forma silenciosa.
Por isso, esperar o aparecimento de sintomas pode atrasar o diagnóstico.
Eu colocaria os sintomas em segundo plano. O mais importante é identificar os pacientes que têm risco de desenvolver doença renal, como pessoas com pressão alta ou diabetes”, explicou.
Segundo ele, quando os sinais aparecem, muitas vezes o problema já está em estágio avançado.
Se o paciente esperar sentir algo para procurar ajuda, pode descobrir a doença já em um quadro mais grave e irreversível”, alertou.
Exames simples podem salvar vidas
A boa notícia, segundo o especialista, é que a doença renal pode ser detectada com exames relativamente simples.
Entre eles estão o exame de sangue para avaliar a creatinina e o exame de urina, capaz de identificar a presença de proteínas — um dos primeiros sinais de dano renal.
Muitos pacientes já apresentam proteína na urina mesmo quando a creatinina ainda está normal. Por isso, os exames de rotina são fundamentais para o diagnóstico precoce”, explicou.
Hábitos saudáveis fazem diferença
Além do acompanhamento médico, mudanças no estilo de vida também são essenciais para prevenir doenças que podem afetar os rins.
O nefrologista destaca a importância de alimentação equilibrada, controle do peso e prática regular de atividade física.
Boa parte dos casos de pressão alta e diabetes está relacionada ao estilo de vida. Então, melhorar os hábitos alimentares, reduzir o consumo de alimentos industrializados e manter atividade física regular são atitudes fundamentais para preservar a saúde”, orientou.
Ele também chama atenção para o consumo excessivo de sódio presente em alimentos industrializados.
Muitos produtos processados têm grandes quantidades de sódio, o que contribui para o desenvolvimento da hipertensão”, explicou.
Transplante pode ser a melhor opção em casos avançados
Nos casos mais graves de doença renal, quando a função dos rins é perdida de forma definitiva, o transplante renal pode ser indicado.
O melhor tratamento para pacientes com doença renal crônica avançada, quando não há possibilidade de recuperação da função dos rins, é o transplante”, afirmou.
Reconhecimento global da doença renal
Em maio de 2025, a Organização Mundial da Saúde reconheceu oficialmente a doença renal como uma prioridade mundial de saúde pública.
Com isso, a doença renal crônica passou a integrar o grupo das principais doenças crônicas não transmissíveis, ao lado de enfermidades cardiovasculares, câncer, diabetes e doenças respiratórias.
Para especialistas, o reconhecimento amplia a visibilidade do problema e reforça a necessidade de investimentos em prevenção, diagnóstico e tratamento.
Um alerta para toda a população
Com campanhas de conscientização, ações educativas e mobilização em todo o país, o Dia Mundial do Rim busca justamente ampliar o acesso à informação e incentivar o cuidado com a saúde.
Para o nefrologista Miguel Moura, a mensagem principal é clara: prevenir ainda é o melhor caminho.
Identificar os pacientes de risco, controlar bem a pressão e o diabetes e realizar exames periódicos são atitudes que fazem toda a diferença para evitar complicações renais”, concluiu.
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus






