Os preços do petróleo registraram alta nesta quinta-feira (19), após ataques a instalações energéticas no Oriente Médio. O barril do tipo Brent ultrapassou US$115, atingindo o maior nível desde 9 de março, em meio à escalada do conflito envolvendo Irã e Israel.
Os contratos futuros do Brent subiam US$6,08, ou 5,7%, cotados a US$113,46 por barril, após avançarem quase US$8 durante a sessão e alcançarem a máxima de US$115,10. Já o petróleo West Texas Intermediate (WTI), referência nos Estados Unidos, subia 57 centavos, ou 0,6%, para US$96,89, após ter atingido US$100,02 mais cedo.
A diferença entre o WTI e o Brent chegou ao maior patamar em 11 anos, influenciada pela liberação de reservas estratégicas dos Estados Unidos e pelos custos de frete mais elevados. O cenário também reflete o impacto direto dos ataques sobre a infraestrutura energética da região.
Infraestrutura energética é atingida em diferentes países
A alta nos preços ocorre após o Irã atacar instalações energéticas em resposta a uma ofensiva de Israel contra o campo de gás de South Pars. O complexo é considerado o maior reservatório de gás natural do mundo e é compartilhado entre Irã e Catar.
Entre os alvos recentes, a QatarEnergy informou danos em Ras Laffan, principal centro de processamento de gás natural liquefeito do Catar, após ataques com mísseis. Na Arábia Saudita, autoridades relataram a interceptação de quatro mísseis balísticos em direção a Riad e uma tentativa de ataque com drones a uma instalação de gás.
A refinaria SAMREF, operada pela Saudi Aramco no porto de Yanbu, também foi atingida por um ataque aéreo. No Kuwait, a Kuwait Petroleum Corporation informou que uma unidade da refinaria Mina al-Ahmadi foi atingida por um drone, provocando incêndio controlado.
Antes das ofensivas, o Irã havia emitido alertas de retirada para instalações de petróleo na Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos e Catar.
Mercado reage a risco de interrupção no fornecimento
A sequência de ataques ampliou a preocupação com o fornecimento global de petróleo. Para a analista Priyanka Sachdeva, da Phillip Nova, o cenário aponta para risco prolongado de interrupção.
“A escalada no Oriente Médio, os ataques à infraestrutura de petróleo e a morte da liderança iraniana apontam para uma interrupção prolongada no fornecimento de petróleo”, afirmou em relatório.
O aumento dos preços também ocorre em meio à decisão do banco central dos Estados Unidos de manter as taxas de juros, com previsão de inflação mais alta diante do impacto do conflito.
Tensão geopolítica envolve Estados Unidos e aliados
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que o país não participou do ataque israelense ao campo de South Pars e que o Catar também não esteve envolvido.
Segundo ele, Israel não deve realizar novos ataques à infraestrutura iraniana na região, a menos que o Irã avance contra o Catar. O presidente também declarou que os Estados Unidos responderão em caso de ação iraniana contra Doha.
Reportagem da agência Reuters indicou que o governo norte-americano avalia o envio de tropas adicionais ao Oriente Médio para reforçar a presença militar na região.
Com informações da InforMoney*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






