Uma fábrica de gelo abastecida por energia solar começou a operar em abril na comunidade Santa Helena do Inglês, em Iranduba, no Amazonas. A estrutura foi criada para atender a demanda local por conservação de pescado e reduzir custos logísticos enfrentados por famílias que vivem da pesca.
O complexo tem capacidade de produzir até uma tonelada de gelo por dia e armazenar até 20 toneladas. A unidade conta com poço artesiano próprio e sistema de energia com placas fotovoltaicas e baterias, garantindo funcionamento contínuo.
Antes da instalação, o gelo era comprado em Manaus, a cerca de cinco horas de viagem. O transporte gerava custos com combustível, mão de obra e perdas por derretimento. Segundo o pescador Nelson Brito, era comum adquirir mais gelo do que o necessário para evitar prejuízos. Ele afirma que, em períodos sem pesca, o investimento era perdido.
“Aqui, a principal forma de subsistência hoje é a pesca e o turismo. Antes, tinha o corte de madeira, que o turismo substituiu, mas a pesca continua, com apetrechos mais modernos, como rede que não prende o peixe pequeno e, agora, o Gelo Caboclo”, diz.
A fábrica atende mais de 30 famílias da região. A gestão foi assumida por um morador da comunidade, o pescador Demétrio Júnior. Ele afirma que o novo modelo permite ao pescador buscar o peixe antes de investir na compra de gelo.
“Com a fábrica de gelo, o pescador agora pode ir atrás do peixe primeiro e só comprar o gelo se conseguir pescar. Então, ele não corre o risco de ter uma despesa inútil”, diz.
Durante a temporada de pesca, a expectativa é atender cerca de 70% da demanda local. O restante ainda deve ser complementado com compras externas. Fora desse período, o gelo também pode ser utilizado por atividades como turismo e agricultura familiar.
Além do impacto econômico, a produção local reduz deslocamentos de embarcações movidas a combustível fóssil, o que diminui a emissão de gases de efeito estufa. O sistema de energia solar também contribui para contornar falhas no fornecimento elétrico na região.
“A energia que chega pela rede falta sempre. Com as chuvas constantes da região, é comum cair uma árvore sobre a linha e a gente passar dias até que ela seja restabelecida”, diz Nelson Brito.
A iniciativa é considerada um modelo que pode ser replicado em outras comunidades ribeirinhas da Amazônia, onde o acesso à energia e à infraestrutura ainda limita atividades produtivas.
Com Informações da Agência Brasil
Foto: Divulgação
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus







