O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, não tem o direito de ameaçar outros países e defendeu que líderes globais atuem com base no diálogo e no respeito.
A declaração foi dada em entrevista ao jornal El País, em Brasília. “Trump não tem o direito de acordar de manhã e ameaçar um país. Ele não foi eleito para isso, e sua Constituição não permite”, afirmou.
Segundo Lula, a condução da política internacional deve priorizar a estabilidade.
“Ninguém tem o direito de amedrontar os outros. É essencial que os poderosos assumam maior responsabilidade na manutenção da paz”, disse.
As declarações ocorrem após o aumento do tom de ameaças dos Estados Unidos ao Irã. No início do mês, Trump afirmou que poderia destruir a civilização iraniana, em meio ao conflito envolvendo o país.
Na entrevista, Lula também avaliou que a estratégia americana parte do pressuposto de que o poder econômico e militar dos Estados Unidos define as regras internacionais. Para o presidente, esse modelo gera impactos globais e pode afetar a própria economia americana, citando o aumento no preço do petróleo após tensões no Estreito de Ormuz.
O presidente brasileiro disse que prefere uma atuação baseada em diálogo entre países. Ele mencionou um encontro anterior com Trump, durante a Assembleia-Geral da ONU, em Nova York, e relatou que defendeu conversas com “maturidade” entre os dois governos.
Lula também abordou a situação na América Latina. Ele defendeu a realização de eleições na Venezuela sem interferência externa e criticou a atuação dos Estados Unidos no país.
“O que não pode acontecer é os EUA acharem que podem mandar na Venezuela. Isso não é normal; não tem lugar em uma democracia”, afirmou.
O presidente declarou ainda que não pretende estabelecer relação política com o presidente da Argentina, Javier Milei.
Agenda internacional
Lula tem viagem prevista à Europa e deve se reunir com o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, em Barcelona, na sexta-feira (17). O líder espanhol integra o grupo de chefes de governo europeus que têm feito críticas à política externa dos Estados Unidos.
Com informações da Folha de São Paulo*
Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus






