A Justiça da Itália decidiu autorizar a extradição da ex-deputada federal Carla Zambelli ao Brasil em mais um processo envolvendo condenação no país. A decisão, tomada nesta quinta-feira, 16, atende ao pedido das autoridades brasileiras no caso em que ela foi condenada por porte ilegal de arma de fogo.
A informação foi confirmada pelo embaixador do Brasil em Roma, Renato Mosca de Souza. Apesar do avanço, a defesa ainda pode recorrer, o que mantém o processo em tramitação dentro do sistema judiciário italiano.
O caso que motivou essa decisão remonta a outubro de 2022, na véspera do segundo turno das eleições, quando Zambelli foi flagrada perseguindo um homem armada pelas ruas do bairro Jardins, em São Paulo, após uma discussão política. O episódio foi registrado em vídeo e levou à abertura de investigação no Supremo Tribunal Federal.
Na sequência, a ex-deputada foi condenada a 5 anos e 3 meses de prisão por porte ilegal de arma e constrangimento ilegal com uso de arma. A decisão agora acolhida pela Justiça italiana reforça o entendimento das autoridades brasileiras sobre a necessidade de cumprimento da pena no país.
Outro processo reforça pedido
A autorização ocorre em paralelo a outro processo, também envolvendo Zambelli, relacionado à invasão de sistemas do Conselho Nacional de Justiça. Nesse caso, a Justiça italiana já havia se manifestado favoravelmente à extradição.
As investigações apontam que a ex-deputada teria atuado ao lado do hacker Walter Delgatti Neto para inserir documentos falsos na base do CNJ, incluindo um suposto mandado de prisão contra um ministro do STF. A defesa apresentou recurso neste processo, que ainda aguarda análise.
Zambelli possui cidadania italiana e deixou o Brasil em 2025, após condenações no Supremo. Desde então, é considerada foragida da Justiça brasileira. O pedido de extradição foi formalizado pelo STF e encaminhado às autoridades italianas com base em tratados internacionais vigentes entre os dois países.
Prisão e decisão final
A ex-deputada está presa em Roma desde julho de 2025, em uma unidade prisional de segurança média e alta. Segundo autoridades italianas, a manutenção da prisão preventiva se justifica pelo risco de fuga.
Mesmo com as decisões judiciais favoráveis à extradição, a palavra final caberá ao governo italiano. O Ministério da Justiça do país europeu será responsável por avaliar os elementos do processo antes de autorizar, de forma definitiva, o envio da ex-parlamentar ao Brasil.
O caso ocorre dentro de um acordo de cooperação entre Brasil e Itália em vigor desde 1993, que prevê a entrega de cidadãos procurados para julgamento ou cumprimento de pena, conforme critérios legais de cada país.
Com Informações do G1
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






