Os quatro clubes classificados para as semifinais da Liga dos Campeões de 2026 — Arsenal, Atlético de Madrid, Bayern de Munique e Paris Saint-Germain — compartilham um ponto em comum fora de campo: todos mantêm acordos comerciais com a campanha turística “Visit Rwanda”, promovida pelo governo de Ruanda e alvo de críticas de organizações de direitos humanos.
As parcerias têm sido questionadas por ativistas, que apontam os contratos como exemplo de “sportswashing”, estratégia em que investimentos no esporte são utilizados para melhorar a imagem internacional de governos. O caso ganha repercussão em meio a denúncias envolvendo a atuação de Ruanda em conflitos na região leste da República Democrática do Congo.
Relatórios internacionais acusam o país africano de apoiar o grupo rebelde M23, envolvido em confrontos armados e suspeitas de crimes de guerra. O governo ruandês, por sua vez, nega qualquer ligação com as ações do grupo.
O debate se intensificou especialmente após a escalada da crise humanitária na RD Congo. Em 2025, Arsenal, Bayern de Munique e Paris Saint-Germain foram formalmente pressionados a reavaliar seus contratos com o “Visit Rwanda”. O apelo ocorreu no momento em que o M23 ampliava sua presença militar, incluindo a tomada de Goma, principal cidade do leste congolês.
Dados divulgados à época indicavam a gravidade da situação: a Organização das Nações Unidas reportou cerca de 700 mortos e 2.800 feridos em decorrência dos conflitos, além de um deslocamento massivo de aproximadamente 500 mil pessoas na região.
Segundo análises de especialistas ligados à ONU, cerca de 4 mil सैनिक ruandeses estariam atuando no território congolês, enquanto o grupo M23 avançava estrategicamente em direção à capital, Kinshasa. Ruanda sustenta que a mobilização militar tem caráter preventivo, com o objetivo de evitar a expansão da violência para seu próprio território.
A ministra das Relações Exteriores da RD Congo, Thérèse Kayikwamba Wagner, chegou a enviar uma carta aos clubes europeus pedindo a revisão dos acordos. No documento, ela acusa o governo de Ruanda de apoiar grupos responsáveis por “estupros, assassinatos e roubos” e sugere que os recursos ligados aos patrocínios podem ter origem em exploração ilegal de minerais no território congolês.
Apesar da pressão política e de campanhas de torcedores, os clubes mantiveram, até o momento, suas parcerias com a iniciativa. Dirigentes defendem que os acordos têm como foco o desenvolvimento do turismo e da economia local, enquanto críticos questionam o uso de recursos públicos em meio a acusações de violações de direitos humanos.
O Arsenal, por exemplo, renovou em 2021 seu contrato com o Rwanda Development Board (RDB), em um acordo avaliado em cerca de US$ 49,2 milhões. Bayern de Munique e Paris Saint-Germain também possuem vínculos comerciais com a entidade, mesmo diante das críticas recorrentes de organizações internacionais.
O tema segue em debate no cenário esportivo global, evidenciando a crescente interseção entre futebol, política internacional e direitos humanos.
Com informações de portais especializados em esporte
Por Victória Medeiros, da redação da Jovem Pan News Manaus






