Emprestar o nome para terceiros na tentativa de facilitar o acesso ao crédito ainda é uma prática recorrente no Brasil, mas que pode trazer impactos diretos nas finanças pessoais. Levantamento da Serasa em parceria com o Opinion Box aponta que 6 em cada 10 brasileiros já cederam o CPF, sendo que 34% deles acabaram endividados após o não pagamento das obrigações.
A pesquisa também mostra que 29% dos entrevistados se arrependeram da decisão e afirmam que não repetiriam a prática. Na maioria dos casos, o empréstimo do nome ocorre dentro de relações de confiança: 60% para familiares, 31% para amigos, 14% para colegas de trabalho e 11% para parceiros.
Segundo a especialista em educação financeira da Serasa, Aline Vieira, ao emprestar o nome, a pessoa assume integralmente a responsabilidade pela dívida, mesmo que não utilize o crédito.
“Isso pode comprometer o orçamento e o histórico financeiro, além de gerar consequências que vão além do aspecto econômico”, explica.
O comportamento ocorre em um cenário de alta inadimplência no país. Dados mais recentes do Mapa da Inadimplência indicam que mais de 82,8 milhões de brasileiros estão com o nome negativado, somando cerca de 338 milhões de dívidas. Desse total, 47% estão concentradas em bancos e instituições financeiras.
No Amazonas, mais de 1,8 milhão de pessoas enfrentam restrições no crédito, acumulando milhões em débitos. As dívidas se concentram principalmente em bancos, varejo, financeiras e contas básicas, como água e energia.
De acordo com a especialista, embora não seja possível estabelecer relação direta entre o empréstimo do nome e a inadimplência, a prática amplia a exposição ao risco, especialmente em um cenário econômico pressionado.
Para reduzir prejuízos, especialistas recomendam cautela antes de assumir compromissos financeiros em nome de terceiros. Avaliar a capacidade de pagamento, entender as condições do crédito e considerar os impactos no próprio orçamento são medidas consideradas essenciais.
Outra orientação é buscar formas alternativas de ajuda, como apoio na organização financeira ou negociação de dívidas, evitando comprometer o próprio nome e a relação pessoal. A pesquisa foi realizada entre os dias 8 e 16 de outubro de 2025, com 1.003 entrevistados, e tem margem de erro de 3,1 pontos percentuais.
Com Informações da Serasa
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






