O embate entre Vila Nova e Operário-PR, válido pela Série B do Campeonato Brasileiro no último sábado (18/4), terminou sob forte tensão extra-campo.
O meio-campista Berto, da equipe paranaense, denunciou ter sido alvo de ofensas racistas vindas das arquibancadas do estádio Onésio Brasileiro Alvarenga (OBA). O jogador, natural de Cabo Verde, acusou um torcedor de tê-lo chamado de “macaquinho”, chegando a chorar e a confrontar verbalmente parte da torcida adversária.
Em resposta imediata, o Vila Nova anunciou no domingo a identificação do suspeito. Segundo o clube goiano, o trabalho foi realizado através do sistema de monitoramento interno e de reconhecimento facial do estádio. As autoridades policiais foram acionadas e um Boletim de Ocorrência foi registrado.
Em posicionamento oficial, o Vila Nova buscou enfatizar seu histórico de combate ao preconceito:
“O Vila Nova Futebol Clube repudia qualquer forma de discriminação, como a relatada pelo atleta Berto, do Operário Ferroviário, após a partida de ontem pelo Campeonato Brasileiro B, bem como atos de violência. Esta instituição, em toda a sua história, combateu qualquer forma de ato discriminatório e, no caso específico da racial, sempre realizou campanhas ativas de prevenção, seja nas camisas dos atletas e nos estádios, no alambrado, de forma sonora, telões e nas campanhas sociais.”
Além do episódio de racismo, a partida foi marcada por violência entre as delegações e a torcida. Houve arremesso de objetos para ambos os lados, resultando em ferimentos. Um torcedor do Vila Nova, atingido por uma garrafa, revidou o lançamento e acabou acertando o rosto de Álvaro Góes, presidente do Operário-PR.
O clube goiano justificou que a confusão teve início após uma atitude de um jogador do time visitante, mas reiterou o compromisso com a apuração dos fatos:
“Quanto ao arremesso de objetos, injustificáveis e repudiados por este clube, é importante deixar claro que a conduta inicial partiu do atleta do Operário, que lançou uma garrafa de isotônico parcialmente cheia e atingiu a boca de um torcedor. De imediato, como forma de reação instintiva, esse mesmo torcedor devolveu o lançamento do objeto, que atingiu o Presidente do Operário. O torcedor do Vila Nova teve lesão corporal em sua boca, necessitou de quatro pontos e atendimento médico na ambulância do estádio.”
O Vila Nova encerrou a nota reafirmando que buscará a aplicação das sanções devidas caso a injúria racial seja comprovada ao fim do processo legal, mantendo sua postura de “defesa de um futebol mais justo, respeitoso e seguro para todos”.
Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus
Foto: Reprodução / Instagram






