Atletismo da Índia entra em lista de risco máximo por doping

País sofre sanções da World Athletics e precisa endurecer fiscalização para não comprometer candidatura aos Jogos Olímpicos de 2036

A busca da Índia por protagonismo no cenário esportivo global sofreu um duro golpe nesta segunda-feira (20). A Unidade de Integridade Atlética (AIU) anunciou que a Federação de Atletismo da Índia (AFI) foi rebaixada para a “Categoria A” — o nível de risco mais elevado da World Athletics. A decisão ocorre após o país registrar um dos maiores volumes de violações antidoping no mundo entre os anos de 2022 e 2025.

Com o novo enquadramento, o atletismo indiano passa a lidar com protocolos de fiscalização muito mais severos. Entre as sanções imediatas, está a obrigatoriedade de um número mínimo de testes laboratoriais em todos os atletas que compõem as seleções nacionais, uma medida padrão para federações consideradas sob ameaça à integridade do esporte.

O cenário é alarmante: há três anos, a Índia lidera o ranking global de infratores da Agência Mundial Antidoping (WADA). Durante visita recente ao país, o presidente da WADA, Witold Bańka, expressou preocupação com o acesso facilitado a substâncias ilícitas, tratando o caso como um “problema sério”. Na ocasião, o dirigente buscou apoio junto à polícia federal indiana para tentar desarticular as rotas de fornecimento de tais produtos.

De acordo com o presidente da AIU, David Howman, a estrutura atual da federação não condiz com a gravidade do cenário. “A situação de doping na Índia é de alto risco há muito tempo e, infelizmente, a qualidade do programa antidoping doméstico não é proporcional a esse risco”, declarou Howman em nota oficial. Ele completou afirmando que: “A AFI tem defendido reformas antidoping dentro do país, mas não houve mudanças suficientes. A AIU agora trabalhará com a federação para implementar reformas que garantam a integridade do atletismo, como já fizemos com outras federações da Categoria A”.

Por outro lado, Adille Sumariwalla, porta-voz da AFI, argumenta que o aumento estatístico de casos é reflexo de uma vigilância mais ativa. Em entrevista à Reuters, ele afirmou que: “AFI tem um plano sólido e defendemos a criminalização do doping no país”. Sumariwalla reforçou o empenho da entidade: “Não há problema em maior fiscalização. Mais atletas estão sendo pegos porque mais testes estão sendo realizados.”

O dirigente também destacou que a federação depende de ajuda estatal para punir os fornecedores. “Estamos combatendo isso com todas as forças. Os criminosos envolvidos devem ser contidos pela polícia. Não somos a polícia; nosso papel é formular políticas, e o governo está ajudando”, disse o porta-voz.

As sanções chegam em um momento político delicado para o esporte indiano. O país, que já está confirmado como sede dos Jogos da Commonwealth de 2030, mantém o ambicioso plano de sediar as Olimpíadas de 2036. No entanto, o Comitê Olímpico Internacional (COI) já deixou claro, em reuniões realizadas em Lausanne, que a contenção do doping é um pré-requisito fundamental para que a candidatura do país ganhe força e credibilidade internacional.

 

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: Divulgação/World Athletics