Os gastos de brasileiros no exterior alcançaram US$ 6,04 bilhões no primeiro trimestre de 2026, o maior valor já registrado para o período desde o início da série histórica, em 1995, segundo o Banco Central do Brasil. O montante representa um crescimento de 21,9% em relação ao mesmo intervalo do ano passado, quando as despesas somaram US$ 4,96 bilhões. Somente no mês de março, os brasileiros gastaram US$ 1,99 bilhão fora do país, também o maior valor já registrado para o mês.
O avanço dos gastos ocorre em um cenário de desvalorização do dólar frente ao real ao longo do ano, o que reduz o custo de viagens internacionais e estimula despesas com passagens, hospedagem, produtos e serviços no exterior. Mesmo com leve alta recente, a moeda norte-americana acumula queda de 8,85% no ano.
A cotação mais baixa está associada a fatores externos e internos, como o cenário internacional e o desempenho da economia brasileira, que segue em crescimento, ainda que em ritmo mais moderado. Esses elementos influenciam diretamente o comportamento de consumo fora do país.
Contas externas
Apesar da alta nos gastos internacionais, o déficit nas contas externas do Brasil apresentou recuo no mesmo período. De acordo com o Banco Central, o saldo negativo em transações correntes foi de US$ 20,27 bilhões no primeiro trimestre, uma redução de 10,76% frente ao mesmo período de 2025, quando o rombo chegou a US$ 22,71 bilhões.
As transações correntes incluem a balança comercial, os serviços — como gastos de brasileiros no exterior — e as rendas, que englobam remessas de lucros, dividendos e juros ao exterior.
Segundo o BC, o comportamento do déficit está diretamente ligado ao nível de atividade econômica. Em períodos de crescimento, a tendência é de aumento nas importações e nos gastos com serviços fora do país, enquanto uma desaceleração contribui para a redução desse saldo negativo.
Investimento estrangeiro
O relatório também aponta queda nos investimentos estrangeiros diretos na economia brasileira. Entre janeiro e março deste ano, o país recebeu US$ 21,03 bilhões, abaixo dos US$ 23,04 bilhões registrados no mesmo período de 2025.
Apesar da retração, o volume foi suficiente para financiar o déficit em transações correntes no início do ano, mantendo o equilíbrio das contas externas.
Com Informações do Banco Central
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






