Primeira cirurgia robótica do Amazonas marca nova fase da medicina no estado, afirma médico da Samel

O coordenador do Serviço de Cirurgia Robótica da Samel, Dr. Ítalo Cortez, participou do programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Manaus, e destacou a realização da primeira cirurgia robótica do Amazonas e os avanços que a tecnologia deve proporcionar aos pacientes.

A realização da primeira cirurgia robótica do Amazonas representa um novo capítulo para a medicina de alta complexidade no estado. O tema foi destaque durante entrevista do médico urologista e coordenador do Serviço de Cirurgia Robótica da Samel, Dr. Ítalo Cortez, ao programa De Olho na Cidade, da Jovem Pan News Manaus.

O procedimento foi realizado no dia 29 de maio, no Hospital Samel, utilizando uma plataforma robótica de última geração instalada em uma sala cirúrgica especialmente preparada para receber a nova tecnologia.

“Conseguimos realizar a primeira cirurgia robótica e, agora, estamos em fase de implementação definitiva do serviço de cirurgia robótica no Hospital Samel. Praticamente toda a estrutura já está pronta para receber outras equipes médicas, possibilitando a realização de diferentes tipos de cirurgias não apenas na urologia, mas também em diversas áreas nas quais a tecnologia robótica pode ser aplicada, trazendo benefícios expressivos aos pacientes”, afirmou.

Pacientes não precisarão mais sair do Amazonas

Durante a entrevista, Dr. Ítalo explicou que, até então, muitos pacientes amazonenses precisavam viajar para outros estados para realizar procedimentos robóticos.

Segundo ele, além dos custos elevados, o deslocamento afastava os pacientes da rede familiar e de apoio durante o tratamento.

“Com esse investimento realizado pelo Grupo Samel, conseguimos reduzir essas distâncias e disponibilizar aqui uma tecnologia de ponta que já era realidade nos grandes centros médicos do país”, destacou.

Tecnologia vai além da urologia

Embora a cirurgia robótica seja amplamente conhecida pelos procedimentos urológicos, especialmente no tratamento do câncer de próstata, o médico ressaltou que a plataforma pode ser utilizada em diversas especialidades.

Entre elas estão cirurgias do aparelho digestivo, ginecológicas, torácicas e, futuramente, até procedimentos cardíacos.

Na urologia, os principais tratamentos incluem casos de câncer de próstata, rim e bexiga, além de doenças benignas que também podem ser abordadas com o auxílio da tecnologia.

Como funciona a cirurgia robótica

Durante a entrevista, o especialista esclareceu uma dúvida comum da população: o robô não realiza a cirurgia sozinho.

Segundo Dr. Ítalo, a plataforma é composta por equipamentos de alta tecnologia controlados integralmente pelo cirurgião, que opera a partir de um console equipado com visão tridimensional e comandos de alta precisão.

“O robô não toma decisões. Ele é totalmente comandado pelo médico. O que a tecnologia faz é ampliar a precisão dos movimentos, reduzir tremores e proporcionar uma visualização muito superior à da cirurgia convencional”, explicou.

Recuperação mais rápida e menos trauma cirúrgico

De acordo com o médico, a cirurgia robótica surgiu como uma evolução da laparoscopia e oferece vantagens importantes para pacientes e profissionais.

Entre os benefícios estão incisões menores, menor trauma aos tecidos, menos sangramento, redução do tempo de internação e recuperação mais rápida.

Nos casos de câncer de próstata localizado, por exemplo, a maioria dos pacientes recebe alta em até dois dias após o procedimento.

Treinamento rigoroso garante segurança

O coordenador destacou ainda que a utilização da plataforma robótica exige treinamento específico e certificações rigorosas.

A primeira cirurgia realizada em Manaus contou com o acompanhamento de especialistas de São Paulo, seguindo protocolos internacionais exigidos pela fabricante do equipamento.

Segundo ele, médicos interessados em atuar com cirurgia robótica precisam passar por capacitações, simulações e procedimentos supervisionados antes de receber autorização para operar de forma independente.

Inteligência artificial deve atuar como aliada dos médicos

Outro tema abordado durante a entrevista foi o avanço da inteligência artificial na área da saúde.

Para Dr. Ítalo Cortez, a tecnologia não substituirá os profissionais qualificados, mas servirá como ferramenta de apoio para tornar diagnósticos e tratamentos mais eficientes.

“O profissional que se mantém atualizado e aprende a utilizar a inteligência artificial como ferramenta continuará sendo fundamental. A tecnologia deve trabalhar ao lado do médico, e quem mais ganha com isso é o paciente”, concluiu.

 

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.