Benjamin Constant entra no top 15 em índice de sustentabilidade, mas ainda enfrenta desafios estruturais

Município alcança 53,13 pontos no iODS, com destaque em saúde, enquanto saneamento e moradia seguem como gargalos

O município de Benjamin Constant, distante 1.116 quilômetros de Manaus, aparece entre os 15 melhores colocados em desempenho sustentável, com índice de 53,13 pontos no iODS, indicador que mede o avanço das cidades em relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS), agenda global estabelecida pela Organização das Nações Unidas.

Criados em 2015, os ODS reúnem 17 metas globais que vão desde a erradicação da pobreza até a preservação ambiental, com horizonte até 2030. O índice avalia o quanto os municípios avançaram nessas metas, considerando áreas como saúde, educação, meio ambiente e qualidade de vida.

Em Benjamin Constant, pelo menos 16 indicadores apresentam desempenho acima de 70 pontos, com destaque para o ODS 3 — Saúde e Bem-estar, que contribuiu diretamente para a posição do município no ranking.

Na área ambiental, o município também apresenta dados relevantes: mais de 30% do território está inserido em áreas protegidas e há a implementação de um Plano de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos, considerado um dos instrumentos básicos de organização ambiental.

Desafios persistem

Apesar do desempenho geral positivo, o levantamento aponta fragilidades importantes. Não há dados disponíveis sobre o percentual da população com acesso a instalações sanitárias seguras, o que compromete a análise do saneamento básico.

Além disso, o município apresentou desempenho insuficiente no Ranking de Controle Interno do Ministério Público de Contas e registra percentual elevado de domicílios em situação de precariedade, indicando limitações na infraestrutura urbana.

Pressão ambiental

Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais mostram que a taxa de desmatamento em Benjamin Constant apresenta oscilações ao longo dos anos, com picos em determinados períodos e momentos de redução.

O comportamento acompanha a dinâmica da região amazônica, que enfrenta pressão constante sobre áreas de floresta. A variação dos índices reforça a necessidade de monitoramento contínuo e políticas públicas de controle ambiental.

ODS, ISO e ESG

Os resultados também dialogam com práticas mais amplas de sustentabilidade. Os ODS funcionam como um guia global, enquanto padrões internacionais, como os da International Organization for Standardization, estabelecem normas técnicas para qualidade, gestão ambiental e governança.

Já os princípios ESG (ambiental, social e governança) vêm sendo utilizados por empresas e instituições como referência para alinhar crescimento econômico com responsabilidade social e preservação ambiental.

A integração entre ODS, ISO e ESG é apontada como estratégica para ampliar resultados sustentáveis, tanto no setor público quanto no privado, com impacto direto na qualidade de vida da população.

O desempenho de Benjamin Constant indica avanços relevantes, mas também evidencia a necessidade de políticas públicas voltadas à infraestrutura básica, redução das desigualdades e melhoria das condições de vida.

Com Informações de dados oficiais, Agenda 2030 e levantamento de indicadores

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus