Ufam lança projeto de formação digital e científica com jovens ribeirinhos e indígenas no RDS do Tupé

Projeto “Ribeirinhos Cientistas” capacita estudantes da comunidade São João do Tupé em Manaus, unindo tecnologia, ciência e saberes tradicionais para fortalecer a educação na Amazônia.

A Universidade Federal do Amazonas (Ufam) iniciou o projeto “Ribeirinhos Cientistas”, voltado à formação digital e científica de jovens ribeirinhos e indígenas da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé, em Manaus. A iniciativa atende estudantes de 11 a 14 anos e integra ensino de ciências, tecnologia e valorização dos conhecimentos tradicionais amazônicos.

O projeto “Ribeirinhos Cientistas” é desenvolvido na comunidade São João do Tupé, localizada na margem esquerda do Rio Negro, na zona rural de Manaus, dentro da RDS do Tupé, área de 11.930 hectares que abriga seis comunidades e povos indígenas como Tatuyo, Tuyuka e Dessana. O acesso ao local ocorre exclusivamente por via fluvial.

A iniciativa é vinculada ao Programa de Pós-Graduação em Ensino de Ciências e Matemática (PPGECIM) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), com financiamento da Capes, vinculada ao Ministério da Educação, e apoio da Secretaria Municipal de Educação de Manaus (Semed). Ao todo, 18 estudantes da Escola Municipal São João participam das atividades.

O objetivo do projeto é promover a formação científica e digital dos jovens, estimulando o uso de ferramentas tecnológicas, como redes sociais, para registro e divulgação da realidade local, além de incentivar a compreensão dos fenômenos naturais da região amazônica.

Segundo a coordenadora do projeto, professora Thais Castro, as atividades envolvem a análise de desafios ambientais e sociais da região, como cheias e secas, a partir da integração entre conhecimentos científicos e saberes tradicionais das comunidades.

A proposta também busca aproximar os estudantes da iniciação científica, com atividades práticas que envolvem fotografia, produção de vídeos e construção de protótipos, além de estimular o pensamento crítico e o protagonismo juvenil.

Entre os participantes, a estudante Luna Blankenhorn, de 14 anos, relata a importância do projeto para a representação da realidade da comunidade, destacando questões como o transporte escolar fluvial e o acesso à educação na região.

A equipe pedagógica da Escola Municipal São João aponta que iniciativas educacionais contribuem para dar visibilidade às condições locais e fortalecer o vínculo entre a escola e a comunidade, que enfrenta desafios como transporte, energia elétrica e acesso a serviços básicos.

O projeto prevê atividades até maio, com etapas que incluem produção de sínteses, desenvolvimento de soluções, construção de protótipos e registro audiovisual das experiências. Ao final, os estudantes irão apresentar os resultados obtidos.

Entre as ações previstas estão a criação de um livro digital com registros dos alunos, um site com acervo fotográfico e a produção de vídeos educativos. Também estão programadas atividades de observação do ambiente, uso de recursos digitais e criação de quizzes educativos que relacionam cultura local e ciência.

Segundo a professora Stephane Ladislau, o projeto reforça a valorização dos conhecimentos tradicionais como parte do processo científico, enquanto a professora Letícia Gabriela.

Com informações da Assessoria.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.