O rendimento médio mensal das famílias brasileiras alcançou o maior valor da série histórica da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad Contínua) em 2025. Segundo dados divulgados nesta sexta-feira, 8, pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a renda domiciliar per capita chegou a R$ 2.264 no ano passado, crescimento real de 6,9% em relação a 2024, já descontada a inflação.
O levantamento aponta que este foi o quarto ano consecutivo de aumento no rendimento médio das famílias brasileiras, consolidando uma recuperação gradual após as perdas registradas durante o período da pandemia.
Em 2019, antes da crise sanitária, o rendimento domiciliar per capita era de R$ 1.904. O valor caiu para R$ 1.820 em 2020 e atingiu R$ 1.692 em 2021. A partir de 2022, os números voltaram a subir, chegando a R$ 1.809 naquele ano, R$ 2.018 em 2023, R$ 2.118 em 2024 e atingindo o recorde histórico em 2025.
Para calcular o indicador, o IBGE considera todos os rendimentos recebidos pelos moradores de cada domicílio e divide o total pelo número de pessoas da residência. Entram na conta salários, aposentadorias, pensões, programas sociais, aluguéis, aplicações financeiras, bolsas de estudo e outras fontes de renda.
Segundo o IBGE, o mercado de trabalho teve papel decisivo no avanço da renda da população. O analista da pesquisa, Gustavo Geaquinto Fontes, destacou que o rendimento do trabalho foi um dos principais responsáveis pelo crescimento registrado em 2025, impulsionado pelos baixos índices de desemprego e pelos reajustes do salário mínimo ao longo do ano passado.
Os dados mostram que 75,1% do rendimento médio mensal das famílias vieram do trabalho. Já as chamadas “outras fontes” responderam por 24,9% da renda dos brasileiros.
Entre os rendimentos que não vêm do trabalho, aposentadorias e pensões tiveram a maior participação, representando 16,4% da composição da renda familiar. Em seguida aparecem programas sociais do governo, com 3,5%, além de aluguel, aplicações financeiras, pensão alimentícia e outras receitas.
A pesquisa também evidencia diferenças regionais importantes. O Distrito Federal registrou a maior renda domiciliar per capita do país, com média de R$ 4.401. Entre os estados, São Paulo lidera com R$ 2.862, seguido por Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Rio de Janeiro e Paraná. Na outra ponta do ranking aparecem Maranhão, Acre e Ceará, com os menores rendimentos médios do país.
Por regiões, o Sul apresentou a maior renda média domiciliar, com R$ 2.734, seguido pelo Centro-Oeste e Sudeste. Já os menores valores foram registrados no Nordeste, com média de R$ 1.470, e no Norte, que teve rendimento médio de R$ 1.558 por pessoa.
O levantamento também mostrou crescimento no número de brasileiros com algum tipo de rendimento. Em 2025, 143 milhões de pessoas tinham alguma fonte de renda, o equivalente a 67,2% da população do país, maior índice da série histórica.
A parcela da população que recebe aposentadoria ou pensão também atingiu recorde. Segundo o IBGE, 13,8% dos brasileiros tinham esse tipo de rendimento em 2025, reflexo do envelhecimento da população.
Os programas sociais seguem com peso relevante no orçamento das famílias brasileiras. Em 2025, 22,7% dos domicílios do país — cerca de 18 milhões de famílias — receberam algum benefício social federal, estadual ou municipal. Outro dado destacado pela pesquisa é a desigualdade de renda. Os 10% mais ricos da população brasileira tiveram rendimento 13,8 vezes maior do que os 40% mais pobres em 2025.
Com Informações da Agência Brasil e IBGE
Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus






