Estudo aponta que árvores reduzem efeito de ilhas de calor e resfriam cidades em até 0,15°C

Uma pesquisa publicada na Nature Communications mostra que a cobertura arbórea ajuda a reduzir o calor urbano em cidades do mundo, mas o efeito é desigual e menor em regiões mais pobres e quentes.

As árvores desempenham papel relevante na redução do calor urbano ao neutralizar parte do aquecimento provocado por edifícios e pavimentos, segundo estudo global publicado na revista Nature Communications. A pesquisa, que analisou cerca de 9 mil cidades, aponta resfriamento médio de 0,15°C, com variações significativas entre regiões.

Um estudo internacional revelou que a cobertura arbórea nas cidades contribui para a redução do chamado efeito de ilha de calor urbana, fenômeno causado pela absorção de calor por superfícies como asfalto e telhados.

De acordo com a pesquisa, as árvores  por meio da sombra e da liberação de vapor d’água reduzem em média 0,15°C a temperatura nas áreas urbanas analisadas. Sem essa vegetação, o aquecimento nas cidades seria de aproximadamente 0,31°C em função do ambiente construído.

O levantamento avaliou quase 9 mil grandes cidades ao redor do mundo, utilizando dados de satélites, medições meteorológicas e modelagens computacionais. A análise foi segmentada em áreas urbanas menores para evitar distorções, permitindo medir com maior precisão os efeitos locais da vegetação.

Os resultados indicam que cerca de 185 milhões de pessoas em 31 grandes cidades experimentam um resfriamento médio de pelo menos 0,3°C devido à presença de árvores. No entanto, o estudo destaca diferenças significativas entre regiões.

Em 20 cidades com mais de 3 milhões de habitantes, o efeito de resfriamento não ultrapassa 0,05°C. Em locais como Dakar, Jeddah, Cidade do Kuwait e Amã, a baixa cobertura arbórea resulta em impacto térmico praticamente inexistente para milhões de habitantes.

Já cidades com maior arborização, como Berlim, Atlanta, Moscou, Washington, Seattle e Sydney, apresentam os maiores níveis de resfriamento urbano. Em Atlanta, por exemplo, cerca de 64% do território é coberto por copas de árvores.

O estudo também aponta desigualdades globais. Menos de 9% das cidades em países de baixa renda apresentam níveis significativos de resfriamento proporcionado pela vegetação, enquanto esse índice chega a quase 40% em países ricos.

Pesquisadores destacam que fatores como disponibilidade de água, uso do solo e planejamento urbano influenciam diretamente a presença de árvores nas cidades. Apesar dos benefícios, o estudo indica que o aumento da cobertura arbórea teria impacto limitado no controle do aquecimento urbano futuro, estimado em até 20%.

Especialistas ressaltam que, embora as árvores contribuam para a redução de temperaturas e tragam outros benefícios ambientais, elas não substituem ações estruturais relacionadas às mudanças climáticas, como a redução do uso de combustíveis fósseis.

Com informações da Assessoria.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.