Mais de 150 milhões de hectares queimam no mundo em 2026 e cientistas alertam para risco de “super El Niño”

Área devastada por incêndios florestais já supera em mais de 20% o recorde anterior; especialistas apontam agravamento da crise climática no segundo semestre

O planeta enfrenta um avanço recorde dos incêndios florestais em 2026. Mais de 150 milhões de hectares já foram queimados nos primeiros meses do ano — uma área próxima ao tamanho do Amazonas —, segundo cientistas da rede internacional World Weather Attribution (WWA). O número representa mais de 20% acima do recorde anterior registrado desde o início do monitoramento global, em 2012.

Pesquisadores alertam que o cenário pode se agravar ainda mais no segundo semestre, diante da possibilidade de formação de um “super El Niño”, fenômeno climático associado ao aumento das temperaturas globais e à intensificação de eventos extremos.

“Este ano, a temporada global de incêndios começou muito rápido”, afirmou Theodore Keeping, pesquisador de clima extremo do Imperial College London e integrante da WWA.

Segundo o cientista, a devastação causada pelos incêndios em 2026 já está cerca de 50% acima da média registrada para este período do ano.

A África concentra uma das situações mais críticas. Apenas no continente africano, aproximadamente 85 milhões de hectares foram queimados neste ano, superando o recorde anterior de 69 milhões de hectares. Países da África Ocidental e da região do Sahel registraram os maiores impactos.

Os pesquisadores apontam que o excesso de chuvas na última estação favoreceu o crescimento de vegetação, que posteriormente secou devido às ondas de calor e às secas intensas, aumentando o material combustível para os incêndios.

Além da África, a Ásia também registra avanço significativo das queimadas, especialmente na Índia, Sudeste Asiático e nordeste da China. Segundo os cientistas, a área devastada por incêndios no continente asiático já supera em quase 40% o recorde anterior. Estados Unidos e Austrália também aparecem entre os países com áreas queimadas acima da média histórica em 2026.

Outro fator que preocupa os especialistas é a alta probabilidade de formação de um El Niño intenso ainda neste ano. As projeções indicam 61% de chance de o fenômeno se consolidar entre maio e julho e permanecer ativo até o fim de 2026.

O El Niño é caracterizado pelo aquecimento anormal das águas do Oceano Pacífico Equatorial e costuma alterar padrões climáticos em diversas partes do mundo, provocando secas severas, ondas de calor e aumento do risco de incêndios florestais.

“A probabilidade de incêndios extremos prejudiciais pode ser a mais alta que vimos na história recente se um El Niño forte se desenvolver”, alertou Theodore Keeping.

A médica e diretora executiva do Centro Sunway para Saúde Planetária da Universidade Sunway, Jemilah Mahmood, destacou os impactos da fumaça das queimadas na saúde pública. Segundo ela, as partículas finas liberadas pelos incêndios podem ser até dez vezes mais prejudiciais do que a poluição gerada pelo tráfego urbano.

Um estudo publicado em 2024 pela revista científica The Lancet apontou que cerca de 1,5 milhão de mortes por ano estão associadas à poluição do ar. A tendência, segundo os pesquisadores, é de agravamento nos próximos anos diante do aumento dos eventos climáticos extremos. Especialistas afirmam que o atual cenário climático é resultado do aquecimento global provocado principalmente pela queima de combustíveis fósseis, como petróleo, carvão e gás natural.

A cofundadora da WWA e professora de ciências climáticas do Imperial College London, Friederike Otto, afirmou que o El Niño é um fenômeno natural, mas agora ocorre em um planeta significativamente mais quente devido às mudanças climáticas induzidas pela ação humana. O último El Niño, registrado entre 2023 e 2024, ficou entre os cinco mais fortes da história e contribuiu para que 2024 fosse considerado o ano mais quente já registrado globalmente.

Segundo os cientistas, a combinação entre aquecimento global e eventos climáticos naturais extremos pode ampliar ainda mais o risco de incêndios, secas prolongadas e ondas de calor nos próximos anos.

Com Informações do Site Terra

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus