Dentro de casa e em silêncio: casos de violência sexual infantil quase dobram no Amazonas, aponta FVS

Boletim da FVS aponta aumento de 99% nas notificações entre 2021 e 2025; maioria das vítimas são meninas entre 10 e 14 anos

Um levantamento divulgado pela Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas revelou um avanço preocupante nos casos de violência sexual contra crianças e adolescentes no estado. Segundo o boletim epidemiológico de 2025, as notificações praticamente dobraram nos últimos quatro anos, passando de 1.585 registros em 2021 para 3.164 casos em 2025.

Os dados fazem parte da Campanha Nacional Faça Bonito e apontam que a taxa de prevalência chegou a 208,6 casos para cada 100 mil crianças e adolescentes entre 0 e 19 anos no Amazonas. De acordo com o levantamento, meninas representam 93,1% das vítimas notificadas, enquanto a faixa etária entre 10 e 14 anos concentra 57,9% dos casos registrados no estado.

Outro dado que chama atenção é o local onde a violência acontece. Em 78,4% das notificações, os abusos ocorreram dentro da própria residência da vítima, cenário que reforça o desafio da identificação precoce e da denúncia.

O estupro de vulnerável aparece como o principal tipo de violência sexual registrado, representando 55,6% das ocorrências notificadas pelos serviços de saúde. Segundo a diretora-presidente da FVS, Tatyana Amorim, o aumento das notificações também está relacionado ao fortalecimento da rede de proteção e ao avanço na identificação dos casos.

“A ampliação das notificações representa um esforço conjunto de fortalecimento da vigilância, sensibilização dos profissionais e maior integração da rede de proteção. Isso significa que mais casos estão sendo identificados e encaminhados para atendimento, cuidado e garantia de direitos”, destacou.

Manaus, Tefé, Parintins e Manacapuru aparecem entre os municípios com maior número absoluto de registros. Já Tonantins, Presidente Figueiredo e Coari lideram as maiores taxas proporcionais. O boletim aponta ainda que o Conselho Tutelar concentrou 72,8% dos encaminhamentos realizados após as notificações feitas pelos serviços de saúde.

Com Informações da Fundação de Vigilância em Saúde do Amazonas

Por João Paulo Oliveira, da redação da Jovem Pan News Manaus