O Caprichoso levou ao Bumbódromo, na noite deste sábado (27), um espetáculo dedicado à ancestralidade amazônica durante a segunda apresentação do 59º Festival de Parintins. Com o subtema “O Brinquedo Ancestral Canta: Amazônia – O Chão da Vida”, o boi azul deu sequência ao projeto artístico “Brinquedo que Canta seu Chão”, em uma performance de 2h25 que teve a floresta como eixo central da narrativa.
A apresentação reforçou a Amazônia como território sagrado, destacando a conexão entre os povos originários, os encantados e as manifestações culturais que preservam a identidade da região. Por meio de alegorias monumentais, lendas e rituais, o espetáculo exaltou a importância da floresta e dos conhecimentos transmitidos entre gerações.
O encerramento da noite foi marcado pelo “Ritual de Transcendência Asurini – Maraká”. Assinada pelo artista Kennedy Prata, a alegoria apresentou um módulo que flutuou pela arena levando o Pajé Erick Beltrão, responsável por representar o xamã que conduz o rito. Na apoteose, o Caprichoso fechou sua participação ao som das toadas “É Hoje” e “Eu te amo Caprichoso”, levando a Galera Azulada à celebração no Bumbódromo.
Um dos momentos mais aguardados da noite foi a entrada da alegoria “Curupira – O Guardião da Vida”, criada por Roberto Reis. Mesmo após sofrer uma queda durante o translado, a estrutura entrou na arena sem intercorrências e chamou a atenção do público pelos seus 37 metros de altura.
Inspirada em um dos personagens mais conhecidos do imaginário amazônico, a alegoria retratou o Curupira como símbolo da proteção da floresta. Presente nas tradições indígenas, ribeirinhas e caboclas, a figura representa a defesa da natureza e reforça a visão ancestral de que todos os elementos da floresta possuem vida e guardiões.
Sobre essa alegoria, a Cunhã-Poranga Marciele Albuquerque protagonizou uma das evoluções mais impactantes da noite. Ao som das toadas “Cunhã Tribal”, “Maria, a Deusa Tupinambá” e “Deusa da Guerra”, a item 9 apresentou uma transformação cênica que uniu a força da onça-pintada e da onça-negra.
A Sinhazinha da Fazenda, Valentina Cid, também protagonizou um momento de destaque ao entrar na arena ao som da clássica toada “Rostinho de Anjo”. Com figurino assinado por Adriano Canto, a item 7 realizou uma evolução que culminou em sua transformação em um beija-flor.
Outro ponto alto da apresentação foi a homenagem prestada pelo Amo do Boi, Caetano Medeiros, ao compositor e poeta Ronaldo Barbosa, autor de clássicos como “Saga de um Canoeiro” e “Pesadelo dos Navegantes”, reconhecido como um dos maiores nomes da história do Festival de Parintins.
Representando a Figura Típica Regional, o Caprichoso apresentou a alegoria “Pescadores e Pescadoras da Amazônia”, criada por Márcio Gonçalves. A apresentação ganhou ainda mais força com o dueto entre o levantador de toadas Patrick Araujo e a cantora Vanessa Alfaia.
A Rainha do Folclore, Cleise Simas, surgiu inspirada na lenda do boto-cor-de-rosa. A evolução da item 8 foi embalada pela toada “Boto Romanceiro”, composição de Ronaldo Barbosa.
A valorização dos povos indígenas também esteve presente em diferentes momentos da apresentação. Entre eles, destacou-se a estreia da primeira Tuxaua trans da história do Festival de Parintins. Lup Moara defendeu o item ao som da toada “Tuxaua – A Dança das Morubixabas”, levando representatividade para a arena.
A Porta-Estandarte Marcela Marialva também chamou a atenção ao surgir sobre uma grande arara amazônica na alegoria da Figura Típica Regional “Povo da Floresta – Exaltação Cultural”, reforçando a homenagem às populações tradicionais da Amazônia.
Logo no início da apresentação, o ritmo foi conduzido por Raimundo Fernandes, o Mestre Bacuri, levando a Galera Azulada a uma intensa participação nas arquibancadas. Em seguida, o Touro da América realizou sua evolução com o tripa Alexandre Azevedo, que recebeu um cocar da indígena Tainá, em um gesto simbólico que reforçou a temática da noite.
Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus
Foto: Reprodução / Prefeitura de Parintins






