Brasil teve apenas 34% de posse de bola contra a Noruega

Apesar de finalizar mais vezes, Brasil viu adversário controlar as ações e construir a classificação às quartas de final

A eliminação da Seleção Brasileira para a Noruega nas oitavas de final da Copa do Mundo de 2026 deixou uma marca negativa inédita na história recente do futebol nacional. Além da derrota por 2 a 1, a equipe comandada por Carlo Ancelotti encerrou a partida com apenas 34% de posse de bola, o menor índice registrado desde o início dos levantamentos estatísticos da Opta, em 1966.

O número evidencia o domínio exercido pelos noruegueses durante boa parte do confronto e reforça as críticas ao desempenho brasileiro na competição.

Recorde negativo em Mundiais

Segundo os dados históricos, nunca a Seleção havia terminado uma partida de Copa do Mundo com percentual tão baixo de posse de bola.

O índice de 34% supera a marca anterior de 40%, registrada na semifinal da Copa de 1998 contra a Holanda. Naquela ocasião, o Brasil avançou nos pênaltis após empate por 1 a 1 no tempo regulamentar.

Até então, todas as partidas que figuravam entre as menores posses de bola da Seleção terminaram com classificação ou vitória brasileira.

Menores índices de posse de bola do Brasil desde 1966

Jogo

Posse de bola

Brasil 1 x 2 Noruega (Oitavas 2026)

34%

Brasil 1 (4) x (2) 1 Holanda (Semifinal 1998)

40%

Brasil 2 x 1 Turquia (Semifinal 2002)

41%

Brasil 2 x 0 Alemanha (Final 2002)

41%

Brasil 3 x 1 Argentina (Segunda fase 1982)

44%

Noruega controlou o jogo

Os números mostram a superioridade norueguesa na circulação da bola. A equipe europeia completou 351 passes a mais que o Brasil durante os 90 minutos.

Embora a Seleção tenha finalizado mais vezes — 14 contra 9 —, o aproveitamento foi inferior. Apenas quatro conclusões brasileiras acertaram o alvo, enquanto a Noruega levou perigo em cinco oportunidades.

O controle territorial e técnico permitiu aos europeus ditarem o ritmo da partida e administrarem os momentos decisivos do confronto.

Meio-campo volta ao centro das críticas

A atuação brasileira também reacendeu debates sobre a capacidade de criação da equipe, especialmente no setor de meio-campo.

Bruno Guimarães, responsável pela organização das jogadas, teve participação discreta e pouco influente na construção ofensiva. O desempenho ficou ainda mais comprometido após o pênalti desperdiçado quando o placar ainda estava empatado.

A dificuldade na articulação das jogadas contribuiu para que o Brasil tivesse pouca presença efetiva com a bola e dependesse de ações isoladas para ameaçar o adversário.

Odegaard simboliza diferença entre as equipes

Enquanto o Brasil encontrou dificuldades para controlar o meio-campo, a Noruega contou com uma atuação destacada de Martin Odegaard.

Capitão do Arsenal, o meia assumiu o protagonismo na organização das jogadas e foi peça importante no domínio territorial da seleção europeia. Sua visão de jogo e qualidade técnica ajudaram a Noruega a manter a posse de bola e administrar os espaços ao longo da partida.

O contraste entre o desempenho dos setores de criação das duas equipes acabou sendo um dos retratos mais evidentes do confronto que encerrou a participação brasileira na Copa do Mundo de 2026.

 

 

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: Buda Mendes/Getty Images/Via Fifa