EUA passam a cobrar tarifas sobre produtos brasileiros a partir desta sexta-feira (24)

Milhares de itens passarão a enfrentar uma tributação adicional de até 37,5% para entrar no mercado norte-americano.

Os Estados Unidos passaram a aplicar, a partir desta sexta-feira (24), uma nova tarifa de 12,5% sobre produtos brasileiros. A taxa é somada à sobretaxa de 25% anunciada anteriormente, fazendo com que cerca de 3 mil produtos passem a enfrentar uma tributação adicional de até 37,5% para entrar no mercado norte-americano.

Segundo a Amcham Brasil, a medida atinge aproximadamente US$ 12,5 bilhões em exportações anuais, sendo que 85,3% desse total (US$ 10,7 bilhões) acumulam as duas tarifas.

Entre os principais produtos afetados estão etanol, calçados, móveis de madeira, vestuário, máquinas agrícolas e de mineração, transformadores elétricos, equipamentos eletrônicos, celulose de alta pureza e pisos e rochas ornamentais. O etanol é um dos mais impactados, com sobretaxa total de 37,5%.

Ficaram de fora das novas tarifas itens como aeronaves e peças, aço e alumínio já tributados, livros e filmes, além de alguns produtos agrícolas, como café solúvel, mel orgânico e determinados cortes de carne bovina.

De acordo com a CNI, as tarifas já refletem nas exportações brasileiras: 20 dos 27 estados registraram queda nas vendas aos Estados Unidos no primeiro semestre de 2026, com redução de 13% nas exportações desde março de 2025, o equivalente a US$ 2,6 bilhões. O governo brasileiro informou que vai acionar a Lei da Reciprocidade e pretende recorrer à Organização Mundial do Comércio (OMC).

Produtos que terão tarifas de até 37,5%

Etanol: etanol de cana-de-açúcar (combustível), álcool etílico não desnaturado para uso industrial ou em bebidas e álcool etílico para produção de químicos.

Polpa solúvel de alta pureza: celulose de madeira para fabricação de fios têxteis (como rayon e viscose), polpa para a produção de celofane e derivados químicos de celulose para plásticos.

Máquinas agrícolas e de mineração: tratores agrícolas, colheitadeiras, semeadoras, escavadeiras para mineração, britadeiras e componentes de borracha específicos para esses maquinários.

Transformadores elétricos industriais: transformadores de potência para subestações elétricas, transformadores de distribuição urbana e equipamentos de infraestrutura para centros de dados de inteligência artificial.

Calçados: sapatos e botas com sola e parte superior de couro, calçados esportivos (tênis) e calçados de segurança industrial.

Móveis de madeira: mesas, cadeiras, armários e estantes de madeira de lei ou compensados, exceto assentos técnicos específicos para aeronaves.

Vestuário novo: camisas de algodão, calças jeans, peças de moda íntima novas, blusas sintéticas e casacos de inverno.

Pisos e rochas ornamentais: placas de granito polido, blocos de mármore trabalhados, quartzito para bancadas e pisos de madeira engenheirada.

Equipamentos eletrônicos: equipamentos eletrônicos para uso geral, infraestrutura industrial ou aplicações de consumo.

Itens isentos das novas sobretaxas

Aeronaves civis, motores e componentes aeronáuticos;

Produtos de aço e alumínio já tributados pela Seção 232;

Ferro-gusa, pelotas de minério de ferro, sucata metálica e hidróxido de alumínio;

Materiais informativos, como livros e filmes;

Doações humanitárias e bagagem de uso pessoal;

Alguns produtos agrícolas e florestais, como determinados tipos de madeira tropical, café solúvel não aromatizado, mel orgânico e cortes específicos de carne bovina.

Tarifas já afetam exportações brasileiras

Os efeitos negativos das tarifas impostas desde o retorno de Trump à Casa Branca, em fevereiro de 2025, já aparecem na balança comercial brasileira.

Dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI) mostram que 20 dos 27 estados brasileiros registraram queda nas exportações para os Estados Unidos no primeiro semestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior.

Desde março de 2025, as vendas brasileiras ao mercado norte-americano recuaram 13%, o equivalente a US$ 2,6 bilhões.

Etanol brasileiro

O produto aparece como um dos principais alvos das medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos.

Segundo os documentos da investigação da Seção 301, o acesso ao mercado brasileiro de etanol foi um dos fatores que motivaram a abertura da apuração contra o Brasil, em julho de 2025.

O produto foi atingido pela tarifa adicional de 25% da primeira investigação e voltou a ser alcançado pela sobretaxa de 12,5% relacionada ao trabalho forçado. Como não integra a lista de exceções de nenhuma das duas medidas, a tributação adicional sobre o etanol chega a 37,5%.

Durante a consulta pública conduzida pelo USTR, produtores norte-americanos afirmaram que tarifas e outras políticas adotadas pelo Brasil reduziram a competitividade do etanol dos Estados Unidos e defenderam a sobretaxa como forma de compensar essas perdas. Parte do setor também pediu que Washington avaliasse a adoção de medidas não tarifárias adicionais contra o Brasil.

Por outro lado, participantes da consulta alertaram que a tributação acumulada de 37,5% sobre o etanol brasileiro seria desproporcional em relação às tarifas aplicadas pelo Brasil ao produto norte-americano. Na avaliação desses interlocutores, a medida pode reduzir o fluxo de comércio bilateral e elevar os custos para importadores e consumidores nos Estados Unidos.

Governo Lula promete reciprocidade

Desde o anúncio da primeira sobretaxa, no valor de 25%, o Brasil afirma estudar o acionamento dos instrumentos previstos na Lei da Reciprocidade, que autoriza o país a retaliar ou aplicar tarifas equivalentes contra países que imponham barreiras comerciais unilaterais aos produtos brasileiros.

Nessa quinta, após o anúncio da sobretaxa de 12,5%, a gestão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) subiu o tom no discurso.

Em nota, o Palácio do Planalto afirmou que iniciaria “imediatamente” os trâmites para acionar a reciprocidade. De acordo com o texto, o governo brasileiro também pretende levar o caso ao mecanismo de solução de controvérsias da Organização Mundial do Comércio (OMC).

O texto ainda acusa os Estados Unidos de se apropriar do tema do trabalho forçado para sustentar sua política comercial protecionista.

“Na ausência de base legal interna para sustentar sua política comercial protecionista, o USTR optou por manipular tema caro aos direitos humanos e à luta dos trabalhadores e trabalhadoras em todo o mundo para acusar 59 países e a União Europeia de práticas desleais”, afirma.

 

Com informações do Jornal Portal do Norte *

Por Leidy Amaral, da redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: Jean Vagner/Ascom SEI