Representantes de comunidades manejadoras, pesquisadores e instituições parceiras reuniram-se durante o 17º Encontro de Manejadores e Manejadoras de Pirarucu da Região do Médio e Alto Solimões, realizado em sua sede, em Tefé (AM). O evento fortaleceu o debate sobre a conservação dos territórios de manejo, apresentou pesquisas científicas, novas ferramentas de vigilância ambiental e marcou a entrega das autorizações para a pesca manejada do pirarucu na temporada de 2026.
A iniciativa integra as ações do Projeto Entre Águas Amazônicas, financiado pelo Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF), com apoio técnico da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). O encontro também teve como objetivo alinhar estratégias para a próxima temporada de pesca, considerada uma das principais atividades econômicas sustentáveis desenvolvidas pelas comunidades da região.
Durante a programação, os participantes discutiram os desafios da conservação dos lagos de manejo diante dos impactos das mudanças climáticas, especialmente das secas extremas registradas nos últimos anos na Amazônia. Pesquisadores apresentaram estudos sobre a vulnerabilidade do pirarucu (Arapaima gigas) às alterações ambientais e destacaram medidas para garantir a sustentabilidade da espécie.
Também foram apresentados equipamentos e estruturas voltados ao fortalecimento da cadeia produtiva do pescado manejado, com foco na qualidade, segurança sanitária e rastreabilidade da produção. As discussões abordaram ainda estratégias de proteção dos territórios, fiscalização ambiental e fortalecimento da gestão comunitária dos recursos pesqueiros.
Outro destaque do encontro foi o diálogo entre as comunidades manejadoras e representantes de órgãos públicos ligados à gestão ambiental. Instituições ambientais e secretarias municipais de meio ambiente esclareceram procedimentos para o licenciamento, fiscalização e apoio às atividades de manejo sustentável. Ao final do evento, o Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama) realizou a entrega das autorizações de pesca do pirarucu aos grupos habilitados para atuar na temporada de 2026.
Realizado anualmente, o encontro promove a troca de experiências entre os manejadores, fortalece a organização das comunidades e amplia o acesso a informações sobre pesquisas, políticas públicas e procedimentos técnicos relacionados ao manejo sustentável do pirarucu.
Novo sistema digital fortalece vigilância ambiental
Um dos principais anúncios do evento foi a apresentação de um novo sistema digital de registro de ocorrências utilizado pelo Programa de Manejo de Pesca do Instituto Mamirauá. Em funcionamento desde março de 2026, a ferramenta utiliza formulários eletrônicos desenvolvidos no Google Forms, permitindo que os vigilantes registrem, diretamente pelo celular, informações como localização geográfica, fotografias e detalhes das ocorrências identificadas durante as ações de monitoramento.
A expectativa é que o sistema agilize a comunicação entre as comunidades e as equipes técnicas, fortalecendo a fiscalização participativa e contribuindo para a proteção dos lagos de manejo contra invasões e práticas ilegais de pesca.
Desde 1998, o Instituto desenvolve pesquisas aplicadas ao manejo sustentável e participativo do pirarucu, integrando conhecimento científico e saberes tradicionais para promover a conservação da espécie e o uso responsável dos recursos pesqueiros na Amazônia.
Atualmente, mais de 200 comunidades do Médio e Alto Solimões participam do programa de manejo em municípios como Uarini, Maraã, Fonte Boa, Jutaí e outras localidades da região. As ações envolvem monitoramento dos estoques naturais, contagem de pirarucus, manejo participativo e acompanhamento técnico das atividades desenvolvidas pelas comunidades.
Vinculado ao Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI), o Instituto Mamirauá, sediado em Tefé (AM), é reconhecido nacional e internacionalmente pelo desenvolvimento de modelos de conservação que conciliam proteção da biodiversidade, geração de renda e fortalecimento das populações tradicionais da Amazônia.
Com informações do Instituto Mamirauá*
Por Leidy Amaral, da redação da Jovem Pan News Manaus Rádio
Foto: Divulgação/ Instituto Mamirauá






