Senadores defendem impeachment de Alexandre de Moraes após relatório da PF

Parlamentares citaram informações sobre a relação do ministro do STF com Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master; oposição informou ter protocolado novo pedido de impeachment

Senadores defenderam, nesta terça-feira (1º), o afastamento do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), após a divulgação de informações de um relatório encaminhado pela Polícia Federal (PF) ao Supremo sobre a relação do magistrado com o ex-banqueiro Daniel Vorcaro.

Vorcaro, ex-dono do Banco Master, está preso desde março. A instituição financeira foi liquidada pelo Banco Central em novembro de 2025, em meio a investigações sobre fraude bancária.

Durante a sessão no Plenário do Senado, parlamentares cobraram esclarecimentos sobre as informações atribuídas ao relatório da PF e defenderam que Moraes deixe o Supremo por meio de impeachment ou renúncia.

Oposição protocola novo pedido de impeachment

Entre os parlamentares que se manifestaram estão Alessandro Vieira (MDB-SE), Carlos Viana (PSD-MG), Cleitinho (Republicanos-MG), Damares Alves (Republicanos-DF), Esperidião Amin (PP-SC), Flávio Bolsonaro (PL-RJ), Izalci Lucas (PL-DF), Luis Carlos Heinze (PP-RS) e Magno Malta (PL-ES).

Carlos Viana informou que a oposição protocolou um novo pedido de impeachment contra o ministro. Para o senador, o afastamento seria necessário diante das informações divulgadas.

“É urgente o afastamento de Alexandre de Moraes pelo próprio Supremo Tribunal Federal, para o bem do Judiciário brasileiro. Não estamos falando aqui em atacar o Judiciário. Nada disso. Estamos falando em defender as instituições”, declarou.

Alessandro Vieira também se manifestou sobre o caso e afirmou que os questionamentos envolvendo Moraes precisam ser considerados pelo Senado.

“Esse escândalo se arrasta há muito tempo”, disse o parlamentar.

Na sequência, Vieira criticou a conduta atribuída ao ministro na relação com Vorcaro.

“O ministro Alexandre de Moraes é um cadáver jurídico, um cadáver político. Ele se inviabilizou pela sua conduta. Um ministro do Supremo não pode se prestar à condição de assessor de banqueiro, mesmo que seja um banqueiro honesto. Mas o ministro Alexandre tinha plena consciência de que assessorava um banqueiro desonesto”, afirmou.

Senadores cobram esclarecimentos de Moraes

Izalci Lucas afirmou que gostaria de votar um processo de impeachment contra Moraes antes do término de seu mandato no Senado.

Cleitinho, por sua vez, defendeu que o ministro compareça à Casa para prestar esclarecimentos sobre as informações divulgadas.

Flávio Bolsonaro afirmou que, na avaliação dele, Moraes teria cometido crime de responsabilidade ao ser flagrado “trabalhando para um banqueiro”.

“É inadmissível que tenhamos pessoas da cúpula do poder deste país sendo suspeitas do cometimento de vários crimes”, declarou o senador.

Damares Alves, Esperidião Amin, Luis Carlos Heinze e Magno Malta também se pronunciaram no Plenário sobre o caso e defenderam medidas relacionadas ao afastamento do ministro.

Alcolumbre cita 109 pedidos contra ministros do STF

Após a sessão, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), foi questionado por jornalistas sobre as informações envolvendo Moraes e Vorcaro.

Alcolumbre não apresentou avaliação sobre o conteúdo das conversas atribuídas aos dois e citou a quantidade de pedidos de impeachment apresentados contra integrantes do Supremo.

“Eu não achei nada, não devo achar nada. Minha percepção é que tem 109 pedidos. Isso não é normal: 109 solicitações no Congresso de impeachment dos dez ministros do Supremo Tribunal Federal”, afirmou.

Cabe ao presidente do Senado decidir sobre o andamento de pedidos de impeachment contra ministros do STF.

 

Com informações da Agência Senado

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus