Motim em presídio da PM termina após quatro policiais serem feitos reféns em Manaus

Cerca de 120 policiais atuaram na ocorrência no Núcleo Prisional da PM, na BR-174; custodiados apresentaram reclamações sobre estrutura, alimentação e atendimento médico

Um motim no Núcleo Prisional da Polícia Militar, na BR-174, zona rural de Manaus, terminou por volta de 1h30 desta quarta-feira (2), após a entrada do 1º Batalhão de Choque. Quatro policiais que atuavam na guarda foram mantidos reféns pelos internos e libertados durante a operação. Ninguém ficou ferido.

A ocorrência começou na tarde de terça-feira (1º). A unidade é destinada a policiais militares presos. Segundo a Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas (SSP-AM) e a Polícia Militar do Amazonas (PMAM), cerca de 120 agentes participaram da ação.

O efetivo mobilizado reuniu integrantes do Batalhão de Operações Especiais (Bope), Canil, Cavalaria, Grupo Marte, Ronda Ostensiva Cândido Mariano (Rocam) e 1º Batalhão de Choque. As equipes permaneceram no local após o encerramento do motim.

Defensoria atuou na mediação

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM) permaneceu por seis horas na unidade para tentar mediar o conflito e encaminhar ao comando da PM as reivindicações dos custodiados.

A atuação ocorreu até a meia-noite e foi conduzida pelo defensor público Maurilio Casas Maia, da Defensoria de Auditoria Militar. A instituição discutiu medidas para preservar a integridade física dos presos e as condições estruturais e de acomodação do local.

A negociação também teve acompanhamento da Ordem dos Advogados do Brasil – Seccional Amazonas (OAB-AM).

Custodiados reclamam das condições da unidade

Entre as reivindicações está a localização do núcleo no mesmo complexo de unidades destinadas a presos comuns. Segundo a Defensoria, os policiais custodiados alegam que a situação representa risco para eles e seus familiares nos dias de visita.

Também foram relatados problemas nas acomodações, na alimentação e na assistência médica. Entre os casos apresentados está o de um policial de idade mais avançada que teria caído de um triliche.

Os custodiados também questionaram a transferência para a atual unidade sem a participação da Defensoria Pública.

A DPE-AM acompanha a situação desde 20 de maio, após receber relatos de familiares, e já realizou mutirões para analisar a execução das penas. O órgão informou ainda que está estruturando uma Defensoria de apoio para atendimento aos policiais militares dentro da unidade.

Familiar relata problemas após mudança na gestão

 

Em áudio obtido pela Rede Amazônica, uma familiar de um dos internos atribuiu a insatisfação dos presos a mudanças na administração da unidade.

“Desde quando mudou o comando da UPPM, quando o major entrou, tudo mudou. Os detentos já estavam estabilizados, estavam num ambiente mais estável e depois que o major foi para lá, mudou tudo. Só para vocês terem uma noção, ele xingava os meninos, gritava com os meninos. Não só ele, como essa equipe de hoje que está de serviço, soldado que acabou de entrar tratando mal os que estão lá”, afirmou.

As declarações representam o relato da familiar e não foram confirmadas pelas autoridades. Até o momento, não houve confirmação oficial sobre quem teria liderado o motim.

PM vai investigar motim

A Polícia Militar informou que abrirá procedimentos para investigar as circunstâncias da ocorrência e eventuais crimes cometidos pelos policiais custodiados.

As informações também serão encaminhadas ao Ministério Público do Estado do Amazonas (MPAM) e à Justiça Militar.

A Defensoria informou que continuará acompanhando as condições dos policiais mantidos na unidade.

Unidade recebeu 71 policiais após fuga

A atual unidade recebeu 71 policiais militares presos após a desativação do antigo Núcleo Prisional da PM, localizado na Zona Norte de Manaus.

O núcleo funciona no antigo prédio da Penitenciária Feminina de Manaus (PFM), ao lado do Complexo Penitenciário Anísio Jobim

(Compaj).

A transferência ocorreu em maio, após a fuga de 23 internos do antigo núcleo, registrada em fevereiro. A operação foi coordenada pelo Ministério Público do Amazonas, em parceria com a Polícia Militar e a Secretaria de Estado de Administração Penitenciária (Seap), com participação de mais de 100 agentes.

O caso resultou em investigações e na prisão de policiais suspeitos de facilitar a fuga. O então responsável pelo núcleo, major Galeno Edmilson de Souza Jales, foi preso durante as apurações e posteriormente excluído da Polícia Militar.

 

Com informações da Rede Amazônica, DPE-AM, Secom

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus