FAB inicia operação com avião KC-390 para combater incêndios no Amazonas

Aeronave começou a atuar nesta segunda-feira (12), com previsão de três missões diárias. Operação federal reúne 11 aeronaves e 290 brigadistas diante do aumento dos focos de incêndio no estado
Fonte: IBAMA
A Força Aérea Brasileira (FAB) iniciou, nesta segunda-feira (12), as operações com o avião KC-390 Millennium no combate aos incêndios florestais no Amazonas. A aeronave decolou de Manaus por volta das 9h para realizar o primeiro voo de reconhecimento das áreas atingidas pelo fogo. A previsão é de três missões por dia, conforme as condições meteorológicas.

O cargueiro militar utiliza o Sistema Modular Aerotransportado de Combate a Incêndios (MAFFS), equipamento que permite transportar milhares de litros de água ou líquido retardante de chamas. O material é lançado sobre os focos de incêndio por uma abertura na parte traseira da aeronave.

Segundo a FAB, outras duas decolagens estavam previstas para segunda-feira. Durante o primeiro voo, a tripulação identificou uma concentração de fumaça e realizou o mapeamento de áreas com incêndios ativos.

Aeronave identifica focos antes do lançamento de água

O comandante do Esquadrão Zeus, tenente-coronel aviador Daniel Souza, explicou que o trabalho começa com a identificação das áreas atingidas. Após o levantamento, as equipes definem os pontos de lançamento e preparam a aeronave para a missão.

“Após todo o planejamento a gente decola e verifica a área, se realmente os focos de incêndios estão na posição planejada. Se eles tiverem a posição planejada, a gente tem um circuito de tráfego para realizar o lançamento”, explicou.

O comandante também afirmou que a FAB mantém equipes preparadas para atuar em situações de emergência e operações de combate a incêndios florestais.

Amazonas registra aumento de 271% nos focos de incêndio

A mobilização ocorre após o Amazonas registrar 1.380 focos de incêndio nos dez primeiros dias de outubro, segundo o Painel do Fogo, do Centro Gestor e Operacional do Sistema de Proteção da Amazônia (Censipam).

O número representa um crescimento de 271% em comparação com o mesmo período de 2025, quando foram contabilizados 372 focos.

Dos registros deste mês, 1.186 ocorreram em áreas públicas, 93 em propriedades privadas e 101 em locais sem situação fundiária definida.

O levantamento também identificou 246 focos em assentamentos federais, 116 em terras indígenas e 97 em unidades de conservação. Essas classificações territoriais podem se sobrepor e não devem ser somadas ao total de ocorrências.

Operação federal mobiliza 11 aeronaves e 290 brigadistas

O reforço federal começou a atuar no domingo (11), com aeronaves destinadas ao reconhecimento, mapeamento e combate aos incêndios.

A estrutura reúne 11 aeronaves, incluindo aviões Air Tractor, utilizados no lançamento de água sobre as chamas, além de helicópteros de apoio às operações.

Em solo, participam 290 brigadistas do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama), do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) e da Força Nacional. Uma equipe também foi deslocada de São Paulo para reforçar os trabalhos.

O ministro do Meio Ambiente e Mudança do Clima, João Paulo Capobianco, esteve em Manaus para acompanhar a situação e informou que as condições de visibilidade chegaram a dificultar o início das missões aéreas.

“A partir de agora, todas as equipes estão de prontidão, iniciam as operações e, sempre que o tempo permitir, que houver teto para os voos, nós faremos os voos necessários”, declarou.

Segundo o ministro, a previsão é de que aeronaves e brigadistas permaneçam no Amazonas até a extinção dos focos de incêndio.

 

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus