Projeto amplia diagnóstico e tratamento da lobomicose na Região Norte com acompanhamento de pacientes no SUS

Iniciativa Aptra Lobo acompanha mais de 100 pacientes com lobomicose na Região Norte e busca aprimorar diagnóstico, tratamento e diretrizes no SUS para doença rara endêmica da Amazônia Ocidental.

Um projeto conduzido na Região Norte vem ampliando o acompanhamento e o tratamento de pacientes com lobomicose, também conhecida como Doença Jorge Lobo (DJL). A iniciativa Aptra Lobo reúne especialistas e instituições de saúde para estruturar o manejo da enfermidade no Sistema Único de Saúde (SUS), com foco em diagnóstico, assistência e pesquisa clínica.

A lobomicose é uma doença fúngica rara que provoca lesões nodulares na pele, semelhantes a queloides, atingindo principalmente orelhas, braços e pernas. Endêmica da Amazônia Ocidental, a enfermidade afeta, em sua maioria, populações ribeirinhas, povos indígenas e trabalhadores extrativistas.

Um dos pacientes acompanhados relata que foi diagnosticado ainda jovem, no interior do Acre, e que a evolução da doença impactou sua rotina de trabalho e vida social. As lesões podem causar dor, coceira, inflamação e, em alguns casos, desfiguração, além de impactos psicológicos associados ao estigma social.

Segundo dados do Ministério da Saúde, já foram registrados 907 casos da doença, sendo 496 no estado do Acre.

Projeto Aptra Lobo

O projeto Aptra Lobo foi criado com o objetivo de organizar o atendimento de pacientes com lobomicose e ampliar o acesso a diagnóstico e tratamento na rede pública de saúde. A iniciativa acompanha atualmente 104 pacientes em estados da Região Norte, incluindo Acre, Amazonas e Rondônia.

O trabalho é realizado em parceria entre o Ministério da Saúde, por meio da Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente (SVSA), e o Einstein Hospital Israelita, dentro do Programa de Apoio ao Desenvolvimento Institucional do SUS (Proadi-SUS).

Entre as ações estão o fortalecimento do diagnóstico em áreas remotas, realização de biópsias e exames laboratoriais nos próprios territórios, além de cirurgias em casos específicos para retirada de lesões. O tratamento é feito com o antifúngico itraconazol, disponível no SUS, com doses ajustadas conforme cada paciente.

De acordo com especialistas envolvidos, mais de 50% dos pacientes acompanhados apresentaram melhora clínica durante o tratamento.

Acesso e desafios

O acompanhamento dos pacientes ocorre, em geral, a cada três meses, com apoio de centros de referência localizados em Rio Branco, Manaus e Porto Velho. A distância e as condições geográficas da região são apontadas como fatores que dificultam o acesso e o acompanhamento contínuo.

Para reduzir essas barreiras, equipes locais participam da identificação de pacientes e da condução dos tratamentos, além de ações de deslocamento e apoio logístico em áreas de difícil acesso.

Produção de diretrizes e manual técnico

Em dezembro do ano passado, o projeto lançou um manual técnico com orientações para diagnóstico, tratamento e prevenção da lobomicose. O material reúne informações para apoiar profissionais de saúde no manejo da doença.

Também estão em desenvolvimento novas diretrizes clínicas, com previsão de consolidação de um Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), que deve orientar o tratamento da doença no SUS.

A expectativa é que os dados obtidos ao longo do acompanhamento dos pacientes contribuam para a consolidação de políticas públicas voltadas ao enfrentamento da lobomicose no país.

Com informações da Assessoria.

Por Erike Ortteip, da redação da Jovem Pan News Manaus.