Combate às queimadas no Amazonas: veja quais equipamentos protegem os brigadistas do Ibama

Capacetes, luvas, botas, roupas de proteção e sistemas de hidratação fazem parte da rotina das equipes do Prevfogo. Treinamento e manutenção dos equipamentos também são necessários para reduzir riscos durante as operações
Os brigadistas que atuam no combate aos incêndios florestais no Amazonas utilizam equipamentos de proteção individual (EPIs) para reduzir os riscos de queimaduras, ferimentos e outros acidentes durante as operações. Capacetes, óculos, luvas, botas e roupas apropriadas integram a preparação das equipes antes da entrada em áreas atingidas pelo fogo.

Os profissionais fazem parte do Centro Nacional de Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (Prevfogo), vinculado ao Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama).

Além dos equipamentos de proteção, as equipes utilizam acessórios de hidratação, ferramentas de combate e dispositivos de sinalização. A escolha dos materiais depende das atividades realizadas, das condições do terreno e dos riscos identificados.

O fornecimento desses itens integra o Programa de Brigadas Federais do Ibama, que também oferece capacitação e materiais de trabalho. A atuação prioriza terras indígenas, territórios quilombolas, assentamentos da reforma agrária e o apoio a unidades de conservação federais.

Capacetes, óculos e luvas reduzem riscos durante o combate ao fogo

A proteção dos brigadistas começa pelos equipamentos utilizados na cabeça, nos olhos e nas mãos.

O capacete ajuda a prevenir ferimentos provocados por impactos, principalmente durante deslocamentos em áreas com galhos, troncos e outros obstáculos. Para cumprir sua função, precisa estar ajustado e preso pela jugular.

Os óculos de segurança protegem os olhos contra poeira, cinzas e partículas projetadas durante o manuseio de ferramentas e equipamentos.

Já a balaclava, também conhecida como capuz de proteção, cobre áreas como cabeça, orelhas e pescoço, dependendo do modelo.

Quando fabricada com materiais apropriados e certificados para proteção térmica, a peça ajuda a reduzir a exposição ao calor e a pequenas partículas incandescentes. No entanto, não substitui o respirador nem impede, por si só, a inalação dos contaminantes presentes na fumaça.

As luvas são utilizadas para reduzir ferimentos, arranhões e abrasões durante o contato com ferramentas, galhos e materiais encontrados nas áreas de atuação.

A resistência ao calor e a outros agentes depende das características de cada equipamento.

Botas, perneiras e roupas protegem durante deslocamentos na floresta

O trabalho em áreas atingidas por incêndios exige deslocamentos sobre terrenos com vegetação, troncos, cinzas e materiais queimados.

Para reduzir os riscos, os brigadistas utilizam botas ou coturnos, que protegem os pés e oferecem apoio e aderência durante a movimentação.

As perneiras, também chamadas de caneleiras, complementam a proteção das pernas contra impactos, arranhões e obstáculos. A proteção contra animais peçonhentos depende das especificações e da certificação do modelo utilizado.

As vestimentas incluem calças de proteção e gandolas, peças de mangas compridas que cobrem o tronco e os braços.

Essas roupas diminuem o contato direto da pele com a vegetação e outros materiais presentes no ambiente.

A resistência ao calor e às chamas depende do tecido e da certificação. Mesmo com o uso de equipamentos adequados, os profissionais continuam expostos aos riscos associados ao fogo.

Faixas refletivas ajudam na localização dos brigadistas

A identificação das equipes é outro componente da segurança durante as operações.

Calças e gandolas podem apresentar faixas retrorrefletivas, enquanto alguns modelos de capacete possuem elementos semelhantes.

Esses materiais refletem a luz em direção à fonte que os ilumina, como lanternas, facilitando a localização dos profissionais em ambientes com pouca luminosidade.

As cores de alta visibilidade e as identificações institucionais também auxiliam no reconhecimento dos integrantes das equipes.

Entretanto, a presença de fumaça densa e obstáculos pode reduzir a eficácia desses recursos.

Por isso, a sinalização deve ser acompanhada de comunicação e organização operacional.

Mochilas de hidratação e cantis fornecem água durante as operações

O esforço físico exigido pelo combate aos incêndios torna o acesso à água uma necessidade durante o trabalho.

Entre os acessórios utilizados estão as mochilas de hidratação, que possuem um reservatório interno conectado a uma mangueira com bocal.

O sistema permite que o brigadista beba água durante os deslocamentos sem precisar retirar a mochila.

Documentos de planejamento do Ibama também utilizam a expressão “mochila de ataque com bolsa de hidratação” para identificar esse equipamento.

Outra alternativa é o cantil, recipiente individual utilizado para transportar água potável. Ele pode ser preso ao cinto, acondicionado em suporte próprio ou transportado na mochila.

Os dois acessórios ajudam a manter a disponibilidade de água durante as atividades, mas não substituem as pausas para descanso e hidratação.

Qual é a diferença entre a mochila de hidratação e a bomba costal?

Apesar de serem transportados nas costas, os equipamentos possuem funções diferentes.

A mochila de hidratação armazena água destinada ao consumo do brigadista.

Já a bomba costal de combate a incêndios, também conhecida como mochila costal de combate, transporta água utilizada para controlar as chamas.

Nesse equipamento, a aplicação é realizada por meio de uma bomba manual e de um esguicho.

A água utilizada no combate ao fogo deve permanecer separada daquela destinada ao consumo humano.

Combate aos incêndios exige equipamentos conforme a atividade

As condições da floresta amazônica apresentam desafios para as equipes que trabalham no controle dos incêndios.

Além do deslocamento por áreas de difícil acesso, os profissionais precisam transportar ferramentas e atuar em locais com vegetação, troncos e materiais queimados.

Os equipamentos devem permitir mobilidade e oferecer resistência às condições de trabalho.

As necessidades de proteção também variam conforme a tarefa executada.

A abertura de linhas de contenção, o uso de sopradores, a operação de motosserras e o rescaldo apresentam riscos diferentes.

No caso das motosserras, por exemplo, são necessários equipamentos específicos contra cortes, além de capacitação para o manuseio da ferramenta.

Proteção contra fumaça e ruídos também exige cuidados

A exposição à fumaça dos incêndios florestais representa um risco à saúde dos brigadistas.

Por isso, a seleção de equipamentos de proteção respiratória deve considerar os contaminantes presentes no ambiente e as condições da operação.

Os respiradores são utilizados para reduzir a inalação dos agentes contra os quais foram projetados.

Entretanto, respiradores destinados à retenção de partículas não oferecem proteção contra todos os gases presentes na fumaça e não fornecem oxigênio.

Outro cuidado está relacionado à exposição ao ruído de equipamentos motorizados.

Os protetores auditivos ajudam a reduzir esse risco, mas sua escolha deve considerar a intensidade do som, o ajuste e a compatibilidade com capacetes e dispositivos de comunicação.

Treinamento e manutenção fazem parte da segurança dos brigadistas

O uso dos equipamentos de proteção individual é acompanhado de capacitação técnica.

Nos cursos do Prevfogo, os brigadistas recebem orientações sobre organização das equipes, normas de segurança, comportamento do fogo, utilização e manutenção de ferramentas e técnicas de combate aos incêndios florestais.

A preparação também inclui cuidados com os equipamentos utilizados em campo.

Capacetes, luvas, botas, vestimentas e outros itens precisam passar por inspeções, ajustes, limpeza e substituição quando apresentam danos.

Os acessórios de hidratação também exigem manutenção. Reservatórios, mangueiras, bocais e cantis devem ser higienizados e abastecidos com água potável.

O conjunto de proteção atua de forma complementar às ferramentas de combate, como abafadores e bombas costais.

Enquanto esses instrumentos são utilizados para controlar o fogo, os EPIs, os sistemas de hidratação, a sinalização e o treinamento buscam reduzir os riscos enfrentados pelos profissionais.

No Amazonas, onde o combate aos incêndios pode exigir deslocamentos por áreas de floresta e operações prolongadas, a segurança das equipes depende da combinação entre equipamentos apropriados, capacitação, comunicação e condições de trabalho.

Com informações do IBAMA AM

Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus