Ademar Cardoso é recebido no Belle Femme após progressão ao semiaberto; veja vídeo

Ademar Cardoso foi recebido por familiares e amigos no Belle Femme, em Manaus, um dia após a Justiça conceder a progressão ao semiaberto; em coletiva, disse que aceita a prisão

Ademar Farias Cardoso Neto, irmão de Djidja Cardoso, foi recebido por familiares e amigos no salão de beleza Belle Femme, no bairro Parque Dez de Novembro, em Manaus, na tarde deste sábado (24). A recepção ocorreu um dia após a Justiça do Amazonas conceder a ele a progressão do regime fechado para o semiaberto.

O salão é ligado à trajetória da família Cardoso e foi o local escolhido para o encontro. Ao chegar, Ademar falou à imprensa.

“Eu aceito a minha prisão”, diz Ademar

Ademar disse estar feliz e que foi ao local para apresentar a versão dele sobre os fatos.

“Hoje eu vim aqui, estou muito feliz, em primeiro lugar, para mostrar o outro lado da moeda. Quem é melhor do que eu para falar sobre a minha própria história? Quem é melhor do que eu para falar sobre a história da Djidja, se era eu que convivia com ela?”

Segundo ele, poucas pessoas frequentavam a casa da família antes dos fatos.

“Ninguém ia na minha casa, a não ser a Verônica, poucos familiares meus, bem poucos mesmo, e quase nenhum amigo. Então eu já vivia recluso, muito antes. Em primeiro lugar, eu queria dizer para vocês que a minha mãe nunca me fez incentivo para usar nada. Eu sempre, como usuário… Eu sou ex-adicto.”

Ademar disse que hoje tem uma causa a defender e afirmou que foi julgado por pessoas que não o conheciam. Ao falar sobre o enquadramento legal, citou artigos da Lei de Drogas.

“Eu estava me aplicando, estava me injetando, fazendo mal para mim mesmo. O artigo é 28. Não 33, nem 35. Eu não estou aqui para me justificar, eu estou aqui para contar a realidade.”

Os artigos tratam de posse para consumo pessoal (28), tráfico (33) e associação para o tráfico (35). Ademar foi condenado em 22 de julho de 2026 a 10 anos e 11 meses de prisão por tráfico de drogas e associação para o tráfico. Ele está preso desde maio de 2024.

Ao falar da prisão, Ademar disse que não se exime de culpa.

“Eu não estou me eximindo da culpa. Toda palavra, todo pensamento, as suas palavras e ações geram uma plantação. Essa planta cresce e volta para você, às vezes com juros. Então eu estou colhendo os frutos de tudo que eu fiz no passado. Eu aceito a minha prisão. Eu já até paguei a minha cadeia.”

Ele afirmou que estudou no período em que esteve preso.

“Eu estudava muito. Eu me formei na faculdade de logística agora, na cadeia. Fiz muitos cursos, coisas que me fizeram repensar a vida. Eu medito todos os dias. Hoje em dia eu me encontro aqui, sendo uma nova pessoa. Eu gosto de artes marciais. Descobri coisas que eu nem sabia que amava tanto. Hoje eu quero mostrar a minha melhor versão para vocês.”

Ademar disse que não comentou o caso em detalhes porque fará uma coletiva de imprensa, sem informar data ou local.

“Vocês perceberam que eu não estou comentando muito sobre o caso, porque a gente vai fazer uma coletiva. Vamos sentar, eu vou conversar com os meus advogados, eu vou conversar com a minha mãe, principalmente. Hoje eu estou aqui, eu vou falar toda a verdade. Tudo vai ser dito.”

Ele afirmou que recebeu propostas de entrevista, reclamou de cortes em uma conversa anterior e disse que só falará se o conteúdo for veiculado na íntegra, porque, segundo ele, “é um cara verdadeiro”.

Decisão da Justiça

A progressão ao semiaberto foi concedida na sexta-feira (23/10). A decisão cita a participação de Ademar em atividades de ressocialização, o aproveitamento escolar e profissional, a boa conduta carcerária e a ausência de faltas disciplinares. Segundo o documento, esses elementos, somados ao requisito temporal, fundamentaram o benefício, em consonância com o parecer favorável do Ministério Público.

No regime semiaberto, Ademar deverá cumprir condições como recolhimento domiciliar em horários determinados e monitoramento eletrônico.

Defesa e família

Os advogados Lenilson Ferreira e Juliano Negreiros atuam na defesa de Ademar e mantêm a atuação nas medidas legais cabíveis. A progressão ocorreu após Cleusimar Cardoso, mãe de Ademar e Djidja, ter a mudança para o semiaberto autorizada em 28 de setembro. A família acompanha os desdobramentos judiciais do caso.


Por Haliandro Furtado, da redação da Jovem Pan News Manaus