A fumaça provocada por queimadas compromete a qualidade do ar em municípios do interior do Amazonas nesta terça-feira (27). Dados do Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental (Selva), da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), apontam níveis de poluição classificados entre moderado e muito ruim em diferentes cidades.
Segundo o Painel do Fogo, o Amazonas registrou 2.330 focos de incêndio no período de um mês. A presença de fumaça é observada principalmente em municípios do interior, enquanto Manaus apresentava qualidade do ar moderada em todos os sensores da plataforma durante a manhã.
Itapiranga registra maior concentração de poluentes
Entre os municípios monitorados, Itapiranga apresentou a maior concentração de partículas poluentes na atmosfera, com 112,5 microgramas por metro cúbico (µg/m³).
Em Itacoatiara, na Região Metropolitana de Manaus, o índice chegou a 107,6 µg/m³, com qualidade do ar classificada como ruim.
Nhamundá e Urucurituba também apresentaram índices elevados, com 80,2 µg/m³ e 77,1 µg/m³, respectivamente. Nos dois municípios, a qualidade do ar foi considerada muito ruim.
Em Parintins, a concentração de poluentes atingiu 63,2 µg/m³, enquanto Barreirinha registrou 62,8 µg/m³. As duas cidades, assim como Boa Vista do Ramos, apresentaram qualidade do ar ruim.
Incêndios florestais mobilizam bombeiros no interior
O aumento da fumaça ocorre em meio aos registros de incêndios florestais no interior do Amazonas. Em Parintins, equipes do Corpo de Bombeiros Militar do Amazonas (CBMAM) chegaram ao município na segunda-feira (26) para reforçar o combate às queimadas.
Segundo a corporação, os militares atuarão exclusivamente na zona rural, onde estão concentradas as ações de combate ao fogo.
As equipes também receberam equipamentos para auxiliar nas operações, incluindo um kit que permite adaptar caminhonetes para combater incêndios em áreas de difícil acesso.
Queimadas no Pará podem ampliar presença de fumaça no Amazonas
Além dos incêndios registrados no território amazonense, queimadas no sul do Pará podem contribuir para o aumento da fumaça no interior do Amazonas nos próximos dias.
Na segunda-feira (26), o governador Roberto Cidade afirmou que os incêndios registrados na região de Itaituba, próxima à divisa entre os dois estados, podem provocar o deslocamento de fumaça em direção ao Amazonas.
Segundo o governador, a fumaça pode alcançar o estado em dois ou três dias. Ele informou ainda que pretende entrar em contato com o governo do Pará para discutir medidas de combate aos incêndios.
“Grande parte de onde está tendo queimadas é no sul do Pará, é ali em Itaituba, na fronteira com o nosso estado, ali no Baixo Amazonas. Nós já estamos trabalhando para que a gente possa fazer a nossa parte aqui no nosso estado, mas também vou pedir junto com a nossa equipe para entrar em contato com o governo do Pará”, declarou.
Monitoramento aponta diferenças na qualidade do ar entre municípios
O Sistema Eletrônico de Vigilância Ambiental da UEA acompanha a concentração de partículas poluentes na atmosfera em diferentes municípios do Amazonas.
Os dados registrados na manhã desta terça-feira mostram que a situação é mais crítica em cidades do interior, enquanto Manaus apresentava índices moderados.
As concentrações de poluentes podem mudar ao longo do dia, conforme as condições meteorológicas, a intensidade das queimadas e o deslocamento da fumaça.






