Justiça bloqueia R$ 5 milhões do Sinetram por suspensão do Passe Livre Estudantil em Manaus

Decisão judicial determina bloqueio de recursos do Sinetram após descumprimento de ordem para restabelecer as recargas do Passe Livre Estudantil para alunos da rede estadual.

A Justiça do Amazonas determinou, nesta sexta-feira (6), o bloqueio de R$ 5 milhões em ativos financeiros do Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros do Estado do Amazonas (Sinetram), após o descumprimento de uma ordem judicial para restabelecer as recargas do Passe Livre Estudantil destinadas aos alunos da rede estadual de ensino em Manaus.

A decisão foi assinada pelo juiz Ronnie Frank Torres Stone, da 1ª Vara da Fazenda Pública de Manaus. O magistrado considerou que o sindicato não comprovou a retomada do benefício dentro do prazo de 24 horas estabelecido pela Justiça.

Sinetram não cumpriu prazo para retomar recargas

De acordo com a decisão, o Sinetram foi intimado na quinta-feira (5) para restabelecer o fornecimento dos créditos estudantis.

O prazo terminou sem que a entidade apresentasse comprovação do cumprimento da determinação ou solicitasse prorrogação.

O juiz também mencionou uma nota pública divulgada pelo sindicato, na qual a retomada das recargas foi condicionada ao recebimento antecipado de recursos financeiros.

Para o magistrado, a manifestação indicou que a entidade não cumpriria a ordem judicial nas condições estabelecidas.

Como funcionará o bloqueio de R$ 5 milhões

O bloqueio será realizado por meio do Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário (Sisbajud), ferramenta utilizada para localizar e tornar indisponíveis recursos financeiros.

O valor de R$ 5 milhões deverá permanecer depositado em conta judicial até que o Sinetram comprove o restabelecimento integral das recargas do Passe Livre Estudantil.

Após a comprovação do cumprimento da ordem, os recursos serão liberados ao próprio sindicato.

Defensoria contesta justificativa para suspensão

A Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE-AM), responsável pela ação judicial, contestou os argumentos apresentados pelo Sinetram para justificar a interrupção do benefício.

Segundo a instituição, a suspensão das recargas, iniciada em 2 de novembro, ocorreu por decisão do sindicato, e não por uma impossibilidade automática de funcionamento do sistema de bilhetagem.

A Defensoria argumentou que, caso a dívida alegada pela entidade impedisse o fornecimento dos créditos, a interrupção teria ocorrido anteriormente.

Suspensão do Passe Livre pode afetar estudantes durante o Enem

Na decisão, o juiz destacou os impactos que a interrupção do benefício pode provocar na rotina dos estudantes da rede estadual.

O magistrado também mencionou a proximidade das provas do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), previstas para os dias 8 e 15 de novembro.

Segundo o entendimento apresentado na decisão, os estudantes não devem ser prejudicados por disputas financeiras envolvendo as empresas de transporte coletivo e o poder público.

A determinação judicial busca garantir o restabelecimento das recargas enquanto a controvérsia financeira é discutida pelas partes.