Ao abordar o Dia Nacional da Luta Antimanicomial, celebrado em 18 de maio, a entrevistada reforçou que o movimento representa uma transformação histórica na forma como pessoas com sofrimento psíquico passaram a ser tratadas no Brasil.
“A ideia de lidar com a loucura sempre foi considerada apenas pelo isolamento. Hoje, entendemos o tratamento em liberdade, com dignidade, direitos humanos e qualidade no cuidado”, afirmou.
Segundo ela, os antigos manicômios deixaram marcas profundas por funcionarem mais como espaços de exclusão social do que de tratamento humanizado.
“Saímos daquela lógica do hospício, do local fechado e isolado. O cuidado hoje acontece através de uma rede de apoio formada por CAPS, hospitais gerais, UBSs e serviços especializados”, explicou.
A especialista destacou ainda que o Amazonas enfrenta desafios específicos, principalmente pela dimensão territorial e pelas dificuldades logísticas no interior. Atualmente, algumas regiões já contam com Centros de Atenção Psicossocial (CAPS), enquanto outras ainda aguardam ampliação da cobertura devido aos critérios populacionais exigidos para implantação das unidades.
“No Amazonas, mesmo municípios próximos enfrentam dificuldades de deslocamento. Isso precisa ser considerado quando falamos da expansão da rede de saúde mental”, pontuou.
Na capital, Manaus possui atualmente sete CAPS em funcionamento e deve inaugurar, em breve, uma nova unidade especializada em álcool e outras drogas na Zona Leste da cidade.
“Estamos prestes a inaugurar um CAPS especializado em álcool e outras drogas na Zona Leste, ampliando o atendimento para uma demanda que cresce cada vez mais”, disse.
Durante a entrevista, também foi debatido o aumento do sofrimento psíquico entre adolescentes e jovens, principalmente associado às vulnerabilidades sociais, violência, desemprego e uso de entorpecentes. A especialista alertou que o problema precisa ser tratado como questão de saúde pública e responsabilidade coletiva.
“Temos um aumento exponencial do uso de álcool e outras drogas em todas as faixas etárias. Isso exige participação não apenas dos serviços de saúde, mas também das famílias e da sociedade”, destacou.
Ao comentar os casos extremos enfrentados por famílias de jovens dependentes químicos, ela afirmou que ainda existe falta de conscientização sobre formas adequadas de acolhimento e tratamento.
“Antigamente, essas pessoas eram acorrentadas, excluídas e isoladas. Hoje entendemos que é preciso olhar para os caminhos que estão sendo oferecidos aos nossos adolescentes antes que a crise aconteça”, declarou.
A entrevista também chamou atenção para as mudanças no comportamento da juventude atual, marcada por novas formas de interação, tecnologia e experimentações da vida moderna.
“O adolescente de hoje vive outra realidade. O mercado de trabalho mudou, os estudos mudaram e as possibilidades também mudaram. Precisamos entender para qual mundo esses jovens estão sendo direcionados”, afirmou.
Segundo a especialista, fortalecer políticas públicas de saúde mental, ampliar o acesso aos CAPS no interior e investir na prevenção são passos fundamentais para garantir atendimento humanizado e reduzir o sofrimento psíquico da população amazonense.
Por Ismael Oliveira – Redação Jovem Pan News Manaus






