Alunos de comunidades ribeirinhas conquistam ouro no Regional Norte de Badminton

Atletas de 12 anos venceram categorias individuais e dupla mista em competição realizada no Acre

Os amazonenses Guilherme Cordova Muraiare e Ângela Vitória Justino dos Santos, ambos de 12 anos, foram os destaques do Regional Norte de Badminton 2026, disputado entre os dias 4 e 7 de junho, em Rio Branco, no Acre. Os jovens atletas conquistaram os títulos das categorias individuais Sub-13 masculina e feminina e também garantiram a medalha de ouro na disputa de dupla mista.

Os resultados reforçam o crescimento de projetos esportivos desenvolvidos em comunidades ribeirinhas da zona rural de Manaus. Guilherme e Ângela integram iniciativas realizadas em escolas municipais localizadas na região do Tarumã-Açu, onde o badminton vem sendo utilizado como ferramenta de inclusão e desenvolvimento esportivo.

Apesar das conquistas, a trajetória dos atletas foi marcada por obstáculos fora das quadras. Para viabilizar a participação do filho na competição, a mãe de Guilherme promoveu bingos, arrecadações por Pix e mobilizou moradores, professores e amigos da comunidade. Muitos dos brindes utilizados nas ações eram utensílios domésticos da própria família.

A campanha arrecadou cerca de R$ 4.140, valor destinado ao custeio da viagem. Já no caso de Ângela, o apoio de professores e da direção da escola foi decisivo para reunir os recursos necessários para a participação no torneio.

Os dois estudantes representam escolas que enfrentam limitações estruturais. Ângela é aluna da Escola Municipal Professor Paulo César da Silva Nonato, localizada na Comunidade Nova Esperança, no igarapé do Tiú. Guilherme estuda na Escola Municipal Professora Paula Aliomar Beltrão.

Mesmo sem contar com quadras poliesportivas, as instituições mantêm os treinamentos graças ao trabalho conjunto de alunos, gestores e do professor de educação física Davi Luniere, responsável pela coordenação do projeto esportivo.

Morador de uma comunidade ribeirinha e pertencente a um povo indígena, Guilherme simboliza o esforço coletivo que sustenta a iniciativa. Sua participação no campeonato só foi possível por meio da mobilização de familiares, educadores e moradores da região.

As medalhas conquistadas no Acre dão sequência a uma trajetória que já vinha produzindo resultados expressivos. Em 2025, a estudante Bárbara Agatha Paulino, da Escola Municipal Professor Paulo César da Silva Nonato, conquistou a terceira colocação no Campeonato Nacional de Badminton realizado em Goiânia.

Agora, o desafio dos organizadores é reunir recursos para ampliar a participação de atletas das comunidades ribeirinhas em competições nacionais. A próxima meta é garantir presença no Campeonato Nacional de Badminton, programado para novembro deste ano, em Cuiabá, no Mato Grosso.

 

 

 

Por Victoria Medeiros, da Redação da Jovem Pan News Manaus

Foto: Divulgação